Baixada Santista pode ganhar núcleo de combate a incêndio

Incêndio Santos Terminal Ultracargo

Carta Santos, documento elaborado para analisar o incêndio que atingiu o terminal da Ultracargo, na Alemoa, em abril deste ano, foi divulgada no último dia 04/06 (quarta-feira) com a proposta da criação de um núcleo regional com recursos e equipamentos necessários para combate a incêndios semelhantes – ou de maiores proporções. O episódio foi considerado o maior do Brasil.

O documento é resultado de um seminário que reuniu engenheiros, técnicos, autoridades, bombeiros e representantes dos poderes municipal, estadual e federal para discutir as causas do incidente na Alemoa, que destruiu seis tanques de armazenamento de líquidos.

Ao todo, foram oito tópicos descritos. Entre eles, destaca-se a proposta de equipar o Plano de Auxílio Mútuo (PAM) da Baixada Santista, de modo a possuir estrutura para conter ocorrência idêntica. As empresas serão as responsáveis por essa preparação.

“Ficou claro que os bombeiros sozinhos não seriam capazes de apagar aquele fogo. Eles admitiram isso e afirmaram que os equipamentos disponíveis hoje são para incêndios fora de zonas industriais”, lembrou o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos (Aeas), Ademar Salgosa.

Na ocasião, o coordenador operacional do Corpo de Bombeiros de São Paulo, coronel Cássio Roberto Armani, destacou o fato para A Tribuna. Ele sugeriu que as empresas que trabalham com produtos químicos da região possuam estrutura semelhante à da Petrobras, que ofereceu auto-bombas e canhões d’água de alta pressão para ajudar a conter o incêndio na Alemoa.

Armazenamento

Outro ponto discutido foram as regras para o armazenamento desses produtos. No caso da Ultracargo, no mesmo dique de contenção havia álcool e gasolina, o que dificultou os trabalhos. “Aplicar o líquido gerador de espuma (LGE) para cada material requer cuidado. Estava tudo junto, o que atrapalhou a eficácia”.

Também consta da carta o pedido de revisão das normas e regras para instalação, armazenamento e manuseio dos inflamáveis na Baixada Santista. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), atendendo ao documento, iniciará os trabalhos este mês.

A Carta será entregue em Brasília, no Ministério dos Portos, e a outros interlocutores, como agentes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, prefeituras e associações representativas de terminais e instalações químicas, além das próprias empresas. A expectativa é de que as propostas saiam do papel este ano. Em setembro, um novo congresso deverá discutir o assunto.

Confira as propostas

1. Revisar e aprimorar constantemente: legislação, normas e regulamentos pertinentes, de maneira a harmonizá-los, eliminando redundâncias e discrepâncias; e garantir condições de segurança operacional e ambiental, mediante projetos e tecnologias; dimensionamento de estruturas e distanciamentos; além de definir recipientes apropriados, entre outros;

2. Aprimorar a integração entre governos, órgãos normativos e iniciativa privada, via planos de auxílio mútuo de múltiplas abrangências, e criação de núcleos regionais, que centralizem dados sobre recursos disponíveis e mecanismos de acionamento;

3. Criar núcleos regionais destinados ao armazenamento de recursos necessários ao combate a sinistros similares, estrategicamente localizados, de forma a assegurar acionamento ágil e eficiente quando da ocorrência de incidentes;

4. Estabelecer planos e ações integradas entre governos e iniciativa privada, objetivando melhoria da acessibilidade e mobilidade em caso de sinistros, eliminando conflitos entre modais de transporte e assegurando rotas de fuga e evacuação eficientes;

5. Diversificar a matriz nacional de transportes, sobretudo no que se refere a acessos a áreas de relevância estratégica, de forma a reduzir os impactos de eventuais sinistros sobre a atividade econômica;

6. Tornar obrigatória a capacitação continuada dos profissionais de órgãos públicos de segurança pertinentes e do quadro de empresas que produzam, transportem, armazenem, empreguem ou prestem serviços envolvendo produtos perigosos, para ações em caso de sinistros, incluindo a responsabilidade;

7. Estudar a criação de um fundo nacional destinado ao combate emergencial de sinistros de grande magnitude;

8. Acompanhar de forma permanente as discussões e realizar novos eventos similares nas diversas regiões do Estado e nos diversos estados do País, e criar um fórum nacional permanente.

(Fonte: A Tribuna – 04/06/2014)