Artigos

Sprinklers sem certificação

Revista Emergência
Thais Tabernero Gomes


 

As responsabilidades civil e criminal no uso de chuveiros automáticos não certificados

Aparentemente, um sprinkler pode parecer um equipamento simples e sem alto rigor técnico. No entanto, ele é o “gatilho” que dispara automaticamente todas as ações de um Sistema de Proteção Contra Incêndio por Chuveiros Automáticos, cujo objetivo principal é a necessidade de proteger a vida e/ou patrimônio em um determinado local. Por isto, deve ser um dispositivo confiável e capaz de garantir os resultados esperados. Para produzir um único sprinkler certificado são necessários cerca de 150 processos de fabricação e de controle de qualidade. Ou seja, desde o recebimento da matéria-prima até a remessa do produto montado para o mercado são executadas 150 etapas, sendo que 80% delas são referentes ao controle de qualidade.

Portanto, executar um projeto sem a exigência de um sprinkler certificado, que garanta um sistema de segurança eficiente, obedecendo todas as legislações e regras, tem um risco altíssimo e implicações muito graves para todos os envolvidos neste projeto, sejam contratantes ou contratados. Se a liberação acontece por meio de uma vistoria sem cumprimento desta exigência, poderá haver prejuízo para todas as partes, já que a legislação vigente presume que agiram assumindo o risco de produzir um resultado danoso, mesmo que não tenha havido intenção. Por isto, sob a ótica penal, caso ocorra uma emergência e o sistema não funcione, causando danos à vida e ao patrimônio, pode-se configurar a prática de crime com dolo eventual.

Para materializar o sistema de proteção é acionada uma cadeia de profissionais e todos precisam conhecer e praticar as exigências das legislações, normas, decretos e instrumentos normativos. Projetistas, construtoras e instaladores responsáveis pela inspeção e liberação das instalações devem obedecer à ABNT NBR 10.897 – Proteção contra incêndio por chuveiros automáticos e exigir sprinklers certificados. Quem os

contratou, por sua vez, deve observar os produtos especificados no projeto. Esta

é a forma mais simples de garantir o cumprimento das especificações obrigatórias, referentes à ABNT NBR 16.400 – Chuveiros automáticos para controle e supressão de incêndios e, desta forma, inibir o crime por dolo eventual (o que significa que, mesmo sem desejar, o autor responde como se tivesse desejado o resultado) em um eventual sinistro em que o sistema não funcionou e houve dano patrimonial e/ou à vida.

Esta deve ser uma preocupação tanto para o contratante (proprietários dos imóveis, inquilinos, administradores, comodatários etc.), quanto para o contratado (profissionais especializados do  segmento dotados de capacidade técnica para realizarem todos os procedimentos necessários para a boa execução do sistema: projetistas, construtoras, instaladores, etc.). Enquanto o contratante tem o dever de criar um ambiente seguro, buscando proteção à vida e ao patrimônio, num caso de sinistro ele responde pela omissão, ou seja, por ter deixado de executar, administrar e/ou zelar por um sistema de combate a incêndio eficaz e de acordo com o estabelecido nas normas locais. Já os contratados têm uma responsabilidade mais abrangente, pois devem fazer com que o sistema de combate a incêndio efetivamente funcione. Eles são especialistas técnicos e se presume que, mais que todos, devem conhecer e cumprir as normas nacionais e internacionais, dentre elas: as Instruções Técnicas (IT) da Autoridade Local, o Código de Defesa do Consumidor, bem como as Normas Brasileiras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e da NFPA (National Fire Protection Association).

Vale ressaltar que o contratante tem a obrigatoriedade de conhecer com profundidade o assunto e zelar pelo seu bom e fiel cumprimento, enquanto o contratado deve executar o que estiver aprovado em um projeto. Apenas desta maneira ambos agem com responsabilidade.

Os órgãos e/ou entidades responsáveis pela aprovação também têm maior responsabilidade porque se presume que, mais que todo mundo, devem ser conhecedores de todas as diretrizes para o seu bom e fiel cumprimento, a fim de que o sistema de combate a incêndio seja o mais apropriado para o local. Por isto, a aprovação de um projeto tem que passar pela análise cuidadosa e vistoria rigorosa. Ele só pode ser liberado depois de cumpridas estas etapas.

 

LEGISLAÇÃO

Em relação à ABNT, um ponto que  merece destaque diz respeito à definição das normas extraída do próprio site: “As normas asseguram as características desejáveis de produtos e serviços como qualidade, segurança, confiabilidade, eficiência(…)”. Quanto aos demais envolvidos em um projeto, ainda que a ABNT NBR não seja lei, ela possui obrigatoriedade por força de lei. O Código de Defesa do Consumidor (artigo 39, VIII) considera prática abusiva aquele que coloca no mercado qualquer produto em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, como é o caso dos chuveiros automáticos.

Quando se fala de sistema de combate a incêndio por sprinkler no âmbito nacional, é importante destacar a NBR 10.897, item 5.2.1.2, que diz: “Os chuveiros automáticos devem ser conforme as normas ABNT NBR 6.125 e 6.135. Estas normas foram canceladas e substituídas pela NBR 16.400, que traz 80 páginas sobre todas as características, testes, ensaios, etc., que um sprinkler deve obedecer para o seu bom funcionamento. Alguns exemplos são a estanqueidade, funcionalidade, fadiga, choque térmico, resistência, hidrostático, vazão e identificação”.

É possível verificar se qualquer chuveiro automático funciona conforme a NBR 16.400, mas o custo seria mais elevado e não garantiria isenção de responsabilidade. A única forma seria por meio de testes de amostragem de sprinklers que comprovadamente foram retirados do local da instalação e testados em empresas certificadoras que possuem equipamentos específicos para isto. Ainda assim, haveria duas dificuldades: comprovar que aqueles sprinklers foram efetivamente retirados do local da obra para fins de uma eventual prova que houve diligência, prudência e perícia na instalação; os testes seriam realizados em apenas um percentual dos produtos, desacreditando que os demais também funcionariam.

No estado de São Paulo, além da NBR, existe expressamente um decreto falando que é necessário ter uma certificação creditada pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), comprovando o atendimento às normas técnicas nacionais ou a organismos de avaliação internacionalmente reconhecidos como UL ou FM, por exemplo.

Em resumo: a única forma de garantir o integral cumprimento da NBR 16.400 e não cometer nenhum equívoco no que diz respeito a este tema com tantas implicações jurídicas é exigir a certificação. Um produto com a certificação FM, por exemplo, além de atender os itens da NBR 16.400, também foi submetido a ensaios superiores, garantindo o bom funcionamento dos chuveiros automáticos.

Todos os envolvidos, desde a concepção do projeto até sua inspeção, em caso de sinistro e tendo os sprinklers não acionados por não estarem de acordo com a NBR 16.400, ou seja, sem certificação, podem responder como se tivessem desejado aquele resultado, pois, como falamos, é presumido que eles sejam conhecedores das normas que garantem confiança e segurança à atividade que exercem.

]Por isto, fique atento às regras, exija certificados e passe longe de qualquer tipo de problema com prejuízos que vão além do financeiro. Não usar um produto certificado pode levar sua empresa a responder civil (pelo dano ao patrimônio que foi lesado) e criminalmente (com impactos que vão desde uma lesão até a morte de alguém). Dito isto, a palavra chave aqui é: responsabilidade. Onde há prevenção, não há falhas.

 

 

A qualidade invisível

Revista Emergência

Por Braulio Viana


Aspectos imperceptíveis de qualidade do sprinkler são garantidos por meio da certificação do produto

É possível fabricar equipamentos que se pareçam com um sprinkler, mas que não o são. Existem aspectos de falta de qualidade que são mais visíveis, tais como: a aparência da liga metálica imprópria e o tipo do elemento de vedação proibido; uma vez identificados, comprovarão a mendacidade de todo o processo de fabricação de um produto que deveria estar destinado à proteção da vida, do patrimônio e da continuidade da atividade produtiva. Porém, existem ainda, aspectos de qualidade totalmente imperceptíveis, o que chamamos aqui de qualidade invisível, cuja única forma de garanti-los é por meio da certificação do produto. Neste artigo, discorreremos sobre este tema: a qualidade invisível do sprinkler certificado.

O SPRINKLER

A Norma Técnica de produto, a ABNT NBR 16400:2018, define que o chuveiro automático, ou sprinkler, é um “dispositivo para supressão ou controle de incêndios que funciona automaticamente quando seu elemento termossensível é aquecido à sua temperatura de operação ou acima dela, permitindo que a água seja descarregada sobre uma área específica”. Como parte do sistema de proteção contra incêndios, o sprinkler é considerado “o ‘gatilho’ que dispara automaticamente todas as ações de controle e supressão de incêndio, […] e, por isto, deve ser um dispositivo que possui […] muita resistência, no curto e no longo prazo, a fim de garantir os resultados esperados a qualquer tempo e lugar”, conforme conceituo em meus trabalhos.

A tecnologia de proteção contra incêndios, utilizando o sprinkler, aplica-se a ambientes distintos, que vão desde uma sala residencial ou um corredor de hotel, passa pelas várias modalidades de comércio e indústria, chegando

aos megagalpões de armazenamento.

Fazendo uma análise mais detalhada, identificamos que o sprinkler possui nove partes que merecem extrema atenção, caso o objetivo final seja a qualidade efetiva do produto (Ver Figura 1).

GRUPOS DE ENSAIOS

Conforme cito em meus estudos, a Norma Técnica é a base que define parâmetros e referências técnicas necessárias ao bom desempenho do produto. Atualmente, temos no Brasil uma norma técnica de produto, a ABNT NBR 16400:2018, que é robusta em conteúdo; possui padrão técnico à altura das normas técnicas internacionais, englobando cerca de 80% de seus ensaios; é adequada à indústria nacional; contribui para o desenvolvimento e/ou segurança de todos os entes do mercado de sprinklers (fornecedores de matéria-prima, fabricantes, laboratórios de ensaio, certificadoras, CBM dos estados, projetistas, instaladores, proprietários e investidores, usuários, e etc.); é um parâmetro para as legislações e um elo essencial entre a indústria e o mercado consumidor. Ainda analisando a norma, temos que “Os dezessete ensaios […] podem ser organizados em três grupos distintos, que denominaremos como ‘grupos de afinidade’, devido ao objetivo fim a que eles se propõem. Sendo assim, conforme destaco em meus trabalhos, podem ser definidos os seguintes grupos de afinidade: ensaios de resistência dos materiais, ensaios de avaliação de montagem e vazamento e ensaios de funcionalidade”. Ver Tabela 1.

Cada um dos três grupos de ensaios possui suas particularidades, porém uma atenção especial deve ser tributada ao grupo de ensaios relacionados à montagem e vazamento, pois é justamente neste que “se esconde” grande parte da qualidade invisível.

EQUILÍBRIO

No ato da montagem do sprinkler aplica-se um torque ao parafuso de fixação do bulbo e gera-se uma força que proporcionará o equilíbrio ao sprinkler durante todo o período no qual ele permanece fechado, ou seja, todos os anos antes de sua eventual ativação. Esta situação traz-nos um grande desafio: como proporcionar ao sprinkler, de forma ininterrupta, a possibilidade de manter-se apto ao funcionamento, garantindo todos os parâmetros de qualidade que jamais poderão ser aferidos após a montagem e instalação do equipamento? Existe aí um dos pontos de discussão deste artigo: A importância de o sprinkler ser montado (fechado) adequadamente, preservando a qualidade visível e invisível, tendo como objetivo não só a aprovação nos ensaios de certificação, mas também a garantia da funcionalidade do equipamento no momento desejado.

Segundo os registros de recente trabalho técnico, lançado sob a chancela do ISB (Instituto Sprinkler Brasil), “o sprinkler é um corpo em equilíbrio e como tal precisa ter harmonia em cada, e entre cada um destes três aspectos [resistência dos materiais, montagem/ vazamento e funcionalidade]. A vulnerabilidade de apenas um destes itens terá impacto nos demais.” O equilíbrio de forças aplicadas na interação entre as partes do sprinkler é originado pelo torque exclusivo daquele conjunto, aplicado ao equipamento no ato de sua montagem; o conjunto de forças será melhor analisado posteriormente.

A qualidade invisível

PERCEPÇÃO VISUAL

O bom acabamento do sprinkler ou, ainda, a sua rusticidade, não podem ser levados em consideração quando a intenção é definir se o equipamento tem qualidade ou não. Existe uma máxima que nos diz: “nem tudo que reluz é ouro” e ainda o termo: “o ouro dos tolos”, ambos os termos, designam o quanto podemos nos deixar enganar pelas aparências. Na simples checagem visual de um sprinkler qualquer, o olho menos treinado poderá ser induzido ao erro, pela “boa” aparência do equipamento. É interessante registrar que alguns sprinklers certificados podem, eventualmente, apresentar aparência extremamente rústica, sem, com isto, comprometer sua qualidade e eficácia. Desta forma, como o critério visual é pouco objetivo para o que pretendemos analisar e, unicamente por este critério, todo e qualquer sprinkler poderia até ser “aprovado”, entendemos que há algo mais profundo que merece uma cuidadosa análise.

A qualidade invisível 2

VISÍVEL X INVISÍVEL

Tomando como base os três grupos de ensaios, citados anteriormente, percebemos que alguns dos itens, denominados aqui como qualidades visíveis, serão percebidos mais facilmente, existindo, inclusive, a eventual possibilidade de testá-los. Temos como exemplo

a checagem visual, que é visível e testável. Aplicado a este exemplo, poderia ocorrer uma situação mais evidente: sprinklers fabricados em liga metálica de zamac (zinco, alumínio, magnésio e cobre), cujas características físicas, poderiam ser verificadas por meio de

uma simples raspagem na superfície do corpo do sprinkler. Outro caso que também figura num campo mais objetivo e perceptível, é o da utilização de o-ring de borracha no sistema de vedação do sprinkler.

Conceitualmente, é possível identificar que existem “qualidades” totalmente invisíveis, tais como os fatores relacionados ao design do corpo (fator K e distribuição da água), como também os relacionados à carga de fechamento e a interação de forças atuantes no sistema de fechamento do sprinkler.

Para avançar na análise e passar do campo conceitual ao prático, avaliamos a tabela de cruzamento entre os ensaios previstos na norma de produto e as partes do sprinkler, ensaiadas em cada um deles; a tabela é parte do trabalho técnico elaborado por mim. Os dados avaliados indicam que o sistema de fechamento composto por: corpo, parafuso, elemento termossensível (bulbo), obturador, elemento de vedação e mesa – destaca-se nos seguintes quesitos: é avaliado em 14 dos 17 ensaios, excetuando- se apenas os ensaios de resistência ao calor, distribuição de água e vazão (fator K); é avaliado em cerca de 63% do total de procedimentos realizados; possui, em seu conjunto, o bulbo de vidro – elemento termossensível – que é a parte mais ensaiada: 19% do total de procedimentos. Desta forma, identificamos que o sistema de fechamento é exaustivamente testado e, por isto, destaca-se dos demais itens englobados na qualidade invisível: fator K e distribuição. É justamente no sistema de fechamento que se concentram as forças que proporcionam ao sprinkler o equilíbrio adequado, de forma a contribuir tanto no processo de certificação do produto, como também o capacita a resistir às condições às quais ele será submetido ao longo de toda sua vida útil, até um eventual acionamento. Por este motivo é que buscamos aprofundar a análise da qualidade invisível presente no sistema de fechamento.

A qualidade invisível 3

A qualidade invisível 4

SISTEMA DE FECHAMENTO 

A partir do torque aplicado ao parafuso de fechamento do sprinkler, é gerada uma força que se distribui aos demais componentes do sistema de fechamento e vedação do sprinkler. Esta força evidencia-se nas interações entre parafuso, bulbo, obturador, elemento vedante e mesa. Todo o conjunto de forças atua também na, quase imperceptível, extensão dos braços do corpo do sprinkler. Ver Figura 2.

Diferentemente da qualidade visível, os itens relacionados ao fechamento do sprinkler são impossíveis de serem testados ou verificados em campo. Por exemplo: é impossível avaliar o torque aplicado no fechamento do sprinkler, que possui um valor entre 0,2 e 0,5Nm,  baixíssimo, porém proporciona ao sistema de fechamento uma força entre 550 e 650N, dependendo do modelo de sprinkler. Cabe lembrar que esta força corresponde a um corpo com massa entre 55 e 65Kg. Ver Figura 3.

Cada sprinkler possui um torque exclusivo que gera uma força de equilíbrio e qualquer alteração, por falta de qualidade, no conjunto de partes que compõem o sistema de fechamento, influenciará diretamente na eficiência do fechamento e atuação correta do

sprinkler.

Utilizando os dados apresentados na Tabela 2, vemos que a fabricação de um sprinkler certificado possui cerca de 142 processos (etapas), sendo 78,8% de processos de controle de qualidade e apenas 21,2% de processos fabris. Dos 111 procedimentos de qualidade, praticamente a metade – 53 procedimentos (47,7%) – são aplicados ao sistema de fechamento. A interação entre as partes, neste sistema, depende da qualidade de  fabricação de cada uma delas.

Em recente palestra do 3º CBSpk(Congresso Brasileiro de Sprinkler), o vice- -presidente da IFSA (International Fire Suppression Aliance), Paris Stavrianidis, relembrou os resultados negativos obtidos por meio de ensaios em sprinklers não certificados, retirados de duas edificações do estado de São Paulo no ano 2016. Conforme demonstrado na Tabela 3, os resultados mostraram a íntima relação entre a ausência de qualidade e a inoperância do equipamento.

A qualidade invisível 5

STRUTTING

Há um fenômeno pouquíssimo estudado no Brasil, quiçá no mundo, chamado strutting, que são microfissuras presentes no bulbo, geradas principalmente pelo excesso de torque no ato da montagem. A ocorrência deste fenômeno está relacionada não somente ao torque, mas também pode ser gerado pelo projeto e/ou usinagem equivocados do parafuso e do obturador. Costuma- se identificar o strutting de duas formas: nas etapas finais do processo fabril, quando o sprinkler é submetido aos ensaios de homologação de produção ou, na pior das hipóteses, quando o sprinkler não funciona durante a ocorrência de um incêndio; nos dois casos, ao elevar-se a temperatura no entorno do bulbo, ocorre a expansão e o total

vazamento do líquido interno do bulbo, impossibilitando o rompimento da ampola de vidro e a liberação do orifício de descarga de água, em suma, o incêndio não é combatido. Ver Figura 4.

A qualidade invisível 6

CERTIFICAÇÃO

A qualidade invisível, presente na interação entre as partes do sistema de fechamento, não é perceptível e a única forma de garanti-la é por meio do processo de certificação, com base na norma técnica de produto, auditada por organismos (OCP) de terceira parte e com processo fabril certificado, segundo a ISO 9001:2015. A certificação garante a funcionalidade do sprinkler, ou seja: terá estanqueidade, romperá na faixa de temperatura e no tempo adequado, liberará as partes móveis, não vai fissurar o bulbo, entre outras questões. A certificação é uma forma de comunicação ao mercado que o sprinkler possui a qualidade, visível e invisível, necessárias ao seu funcionamento.

A qualidade invisível 7

CONCLUSÃO

A qualidade do sprinkler não está unicamente ligada aos aspectos visíveis. Com base na avaliação da quantidade de ensaios normativos realizados no sprinkler, foi possível constatar não só a importância do sistema de montagem no processo de equilíbrio de forças

do equipamento, mas também que eles apresentam um número de fatores relacionados ao design e ao fechamento, imperceptíveis aos olhos e que se não forem bem identificados, ocultarão a ineficácia, podendo redundar na total inoperância do sprinkler. Identificamos

tais fatores como: qualidade invisível. A qualidade invisível se fará presente especialmente nos itens relacionados ao coeficiente de descarga (fator K), distribuição de água e no sistema de fechamento. As “qualidades” visíveis e invisíveis serão garantidas por meio

de um processo fabril inteiramente supervisionado por um rígido controle de qualidade e a certificação do produto com base nos critérios da norma técnica e na auditoria de terceira parte.

Negligenciando os princípios expostos acima, os fabricantes terão apenas a preocupação comercial e nunca a preocupação com excelência técnica do produto; fabricarão equipamentos que parecerão sprinklers, porém não o serão de fato, pois os resultados de uma eventual atuação em um incêndio serão imprevisíveis, pondo em risco a proteção da vida humana, do patrimônio e da continuidade da atividade produtiva nos locais supostamente protegidos.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.

NBR16400: Chuveiros automáticos para controle e supressão de incêndios: Especificações e método de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. p. 2.

DECOURT, F. A qualidade invisível do sprinkler certificado. In: Congresso Brasileiro de Sprinklers, 3, 2018, São Paulo.

VIANA, B. M. G. Apresentação e análise da nova norma ABNT NBR16400:2015: [recurso eletrônico] enfim uma sólida base técnica para a construção de um mercado confiável. São Paulo: Instituto Sprinkler Brasil, 2018. 134p.

Sistema water mist

Revista Emergência

Por Edgard Lyncoli


Sistema water mist

A tecnologia de combate à incêndio por sistema water mist, conhecido como sistema de água em névoa, se originou há mais de 30 anos e foi inicialmente introduzido ao mercado como uma opção em substituição aos sistemas para extinção de incêndio por agentes químicos, como o Halon 1301, que causavam danos à camada de ozônio, seguindo o protocolo de Montreal. No entanto, para a época era considerado um sistema muito caro,

principalmente para atender projetos em grandes ambientes, portanto, devido aos

extensivos e onerosos testes de aprovação à época, foi quase abandonado Com isto, seu foco começou a tomar outra direção que era o dimensionamento do sistema para uso em aplicação local, destinado a proteger máquinas e equipamentos, em que sistemas autônomos, mantidos por pressurização com cilindros seriam economicamente viáveis

para estas aplicações. Ao longo do tempo, a tecnologia foi se aprimorando por empenho dos fabricantes, permitindo, atualmente, encontrar diferentes sistemas e aplicações,

atendendo a projetos em grandes ou pequenos equipamentos com aplicação local, assim  como pequenos ou grandes ambientes com inundação total. O sistema water mist detém tecnologia para formação de micropartículas de água entre 200 e 10 mícrons de tamanho,

enquanto uma gota de sprinkler tradicional em média tem o tamanho de mil mícrons. Esta capacidade de geração de micropartículas garante uma maior quantidade de gotas suspensas e, consequentemente, maximiza a capacidade para troca de calor durante um incêndio. Em uma comparação direta, enquanto mil gotas de sprinkler têm uma área de superfície de 0.314m² para absorção de calor, o mesmo disparo de um sprinkler water mist gera 1 milhão de micropartículas, criando uma área de superfície de 314m² para absorção de calor. Este é o grande segredo que permite a um sistema  water mist utilizar um reservatório muito menor de água comparado a sistema de sprinkler tradicional, ou como

conseguir combater incêndios extremamente complicados como ocorrências em fritadeiras industriais com uma velocidade incrível, e de forma muito mais eficiente comparado a outros sistemas, evitando reignição, danos irreversíveis ou riscos de reação térmica. A tecnologia water mist utiliza bombas de incêndio específicas, que precisam ter uma resposta de pressurização sobre baixo fluxo de água, ou em alguns casos para baixa demanda de reservatório convém a utilização de sistema de cilindros pressurizados. Em ambos

os casos, precisam ser dimensionados corretamente para gerar a pressão adequada necessária à sua aplicação. No entanto, somente o sistema de pressurização não é  suficiente para proporcionar a formação das micropartículas de água, o sprinkler water mist desempenha um papel fundamental e detêm a tecnologia necessária para formação das gotas de água em micropartículas. O sistema em si será capaz de gerar um spray em forma

de névoa necessária para controlar o incêndio em sólidos ou incêndios de profundidade (tipo Classe A), ou extinguir incêndios em ambientes com líquidos lubrificantes ou combustíveis (tipo Classe B e Classe F).

DESEMPENHO

O total desempenho do sistema de water mist em combate ao incêndio é realizado pela ação conjunta de abafamento e resfriamento. O abafamento ocorre quando as micropartículas de água entram em contato com a superfície do fogo, no qual as micropartículas em superaquecimento se expandem em até 16x de tamanho pela transformação do estado líquido para vapor. Esta ação cria uma zona de baixa concentração de oxigênio em volta da superfície em combustão, reduzindo o tamanho do fogo e permitindo que as demais micropartículas do water mist tenham maior poder de penetração e capacidade de reduzir a temperatura do incêndio, permitindo o seu controle ou supressão. Adicionalmente ao combate das superfícies em combustão pelas micropartículas

de água do sistema water mist, a descarga da névoa de água permite o resfriamento da fumaça e vapores liberados durante o incêndio, de forma a reduzir os  efeitos de difusão do calor no ambiente e para fora dele, isto ocorre devido ao efeito da névoa de água em suspensão. Diferente dos sprinklers tradicionais, o sprinkler water mist irá trabalhar sob pressão bem superior, sendo por um sistema de bomba elétrica, bomba diesel ou por baterias de cilindros carregados com agente inerte que opera como propelente a um reservatório proprietário. As tecnologias desenvolvidas são classificadas como sistemas de baixa pressão, sistemas de alta pressão e sistemas híbridos. Na maioria dos sistemas presentes no mercado, podemos encontrar sistemas de baixa pressão que operam entre 7 e

17 bar de pressão e sistemas de alta pressão  que operam entre 70 e 200 bar de pressão. Pela NFPA 750 é exigido que sejam considerados como sistemas water mist, os sistemas  que operem acima de 12.1 bar de pressão ou sistemas em que a pressão seja definida pelo fabricante quando o sistema for listado/certificado no uso de reserva de água individualizada, casos em que nos deparamos com sistemas híbridos. Já as normas CEN

(European Committee for Standardization) e BS (British Standards) removeram esta exigência de pressurização mínima para definição de sistemas water mist, tomando

como base o tamanho das micropartículas de água geradas pelo desempenho dos sistemas. No entanto, é comum surgir a dúvida de qual sistema é mais eficiente: alta

pressão? baixa pressão? híbrido? Em todos os testes similares realizados com sistemas distintos foi verificado que a resposta ao combate foi eficiente, não deixando dúvidas de que um sistema é melhor ou pior, porém devem ser observadas as limitações estabelecidas por

cada fabricante e suas respectivas aprovações de “Fire Tests” definidos pelas organizações

certificadoras reconhecidos nas normas relacionadas. Os “Fire Tests” definem área de proteção, distância do sprinkler water mist para a superfície a ser protegida, aplicação local ou inundação do ambiente, etc. Porém, não será encontrado “Fire Tests” específico para

todas as aplicações, para alguns casos será necessária uma análise profunda por um especialista para definir se a aplicação de uma solução water mist é viável. Na maioria das vezes, estas consultas precisam ser orientadas à engenharia dos fabricantes para tomada de decisão e desenho do projeto. E isto é extremamente sério e importante, pois não é

difícil encontrar casos em que sistemas water mist estão sendo especificados indevidamente em projetos.

Sistema water mist 2

APLICAÇÃO

Para se ter conhecimento, o sistema water mist tem restrições de aplicação. Um exemplo é para casos como incêndios  com gases liquefeitos em que o uso da água irá promover uma vaporização mais rápida do gás, ocasionando mais incêndio, ou como casos em que o uso

da água pode reagir violentamente, como ocorre quando é aplicada água na presença de potássio metálico. Também deve ser observado que em ambientes abertos, o sistema water mist não deve ser utilizado, pois a ação do vento pode impactar seriamente e impedir o funcionamento do sistema. Estas informações estão difusas nas normas, assim como

informações que limitam algumas aplicações, como em casos em que houver reservatórios contendo mais que 208L de líquidos lubrificantes/combustíveis. São muitas variáveis que devem ser observadas ao longo de sua definição de uso.

Atualmente, nota-se que vem sendo crescente o desenvolvimento de projetos em ambientes comerciais, não só no Brasil como em muitos outros países, com o uso de sistemas de combate por water mist em datacenter, bibliotecas, hotéis e museus. O mesmo ocorre em proteções específicas no ambiente industrial para proteção de cabines de pintura, laboratório para testes de motores à combustão, transformadores a óleo enclausurados, turbinas, geradores e fritadeiras industriais. Uma outra utilização especial e cada vez mais estudada é no combate a incêndio em túneis e galerias de cabos. O sistema de water mist pode ser projetado em aplicações distintas, conforme as seguintes arquiteturas listadas, como sistemas de dilúvio, sistemas de pré-ação, sistemas secos e sistemas molhados.

O sistema de dilúvio (Deluge Water Mist System), por exemplo, é voltado para aplicações

como “Machinery Spaces”, salas de máquinas, salas hidráulicas, geradores, transformadores a óleo enclausurados, turbinas e fritadeiras industriais e outros ambientes e/ou equipamentos envolvendo líquidos lubrificantes e combustíveis que podem apresentar incêndios em spray ou em superfície, como prensas hidráulicas ou injetoras. Além do conjunto de sistema de pressurização water mist, reservatório, válvulas de bloqueio/ manutenção e de dilúvio, é necessário que seja compreendido um sistema de detecção e alarme de incêndio para detectar o incêndio e acionar a válvula de dilúvio para liberação da água. Os detectores automáticos poderão ser térmicos ou termovelocimétricos pontuais ou lineares, ou detectores de chama (é importante para casos que utilizam detector de chama, que a opção seja por um dispositivo imune a falsos alarmes gerados por um processo de solda ou algo similar) que quando indicarem alarme a uma central de incêndio certificada

para controle e supervisão de sistemas de combate irá por seu módulo de release acionar a solenóide da válvula de dilúvio. A água então será liberada até ser despejada em forma de névoa pelos water mist sprinklers abertos. O Sistema de Pré-Ação (Preaction Water

Mist System) é aplicado para ambientes com riscos elétricos, em que exista a preocupação de descarga de água dentro de um ambiente energizado ou de sala limpa, casos como salas elétricas, salas de data centers ou laboratórios. Quando utilizado em ambientes como salas elétricas, é imprescindível o desligamento prévio da sala intertravado com a liberação

da água. No entanto, para um ambiente de data centers, que segue determinadas certificações específicas, não é  exigido o desligamento do sistema de ventilação e alimentação local. Com arquitetura similar ao sistema de dilúvio, sua diferença está no sistema de detecção de incêndio que usualmente é realizada por detectores pontuais de fumaça e o water mist sprinkler é do tipo fechado, permitindo que a rede seca seja pressurizada a ar e monitorada para verificação de vazamentos.  O Sistema Tubo Seco (Dry Pipe Water Mist System) ou sistema Tubo Molhado (Wet Pipe Water Mist System) é para maioria das ocupações de Risco Leve e Risco Ordinário (Grupos 1 e 2). Este dimensionamento é muito similar aos sistemas convencionais de sprinklers, válvulas de

alarme e governo, chaves de fluxo, water mist sprinklers do tipo fechado. Não dependem de um sistema de detecção para sua ativação, porém devido a ser incêndio classe A, acabam por exigir uma demanda de reserva de água muito maior comparado a riscos em “Machinery

Spaces”. É observada que a decisão do uso de sistemas water mist é influenciada para

casos em que existem limitações de estanqueidade no uso de sistemas de agentes

limpos, assim como por não causar danos a equipamentos que outras soluções de combate a incêndio à base de água causariam devido a choque térmico, ou para reduzir os danos causados pelo volume de água liberado por um sprinkler convencional. Outros fatores

que influenciam seu uso é o custo de manutenção extremamente baixo, ou casos como definido no datasheet FM 0504 em que salas de transformadores protegidos com water mist podem ter suas paredes com resistência ao fogo reduzido para uma hora ao invés de três horas. Mas é extremamente importante uma análise criteriosa no estudo de impactos aos

bens a serem protegidos, pois como sabemos, esta solução é baseada com o uso de água para combate a incêndio que pode trazer danos e riscos quando aplicados em ambientes com documentos ou equipamentos eletrônicos sensíveis e valiosos.

As normas não são restritivas ao uso de novas tecnologias, porém é de extrema importância que os critérios de projeto e padronização de instalação sigam orientações das normas NFPA750 – Standard on Water Mist Fire Protection Systems, FMDS0402 – Water Mist Systems, BS8489 – 1:2016 – Fixed fire protection systems – industrial and commercial water mist systems ou CEN/TS 14972 – Fixed firefighting systems – Water mist systems – Design

and installation. As normas definem os padrões mínimos requeridos para desenvolvimento de projetos, e também o uso de equipamentos e sistemas certificados, os quais sua aplicação deve ser limitada dentro dos protocolos de “Fire Tests” estabelecidos pelos laboratórios IMO, FM, UL e VDS. Também é extremamente importante que seu dimensionamento, projeto e instalação sigam os critérios definidos pelos fabricantes

que regularmente exigem que sua execução seja realizada por instaladores treinados

e capacitados. Vale ressaltar que cada fabricante domina uma tecnologia e devido à complexidade dos projetos com sistema water mist a escolha do seu futuro sistema seja definido por uma boa tomada de decisão.

Sistema water mist 3

Sistema water mist 5

Sistema water mist 4

Tubulações para sprinklers

Revista Emergência

Por Rafael Turri


Antes de começar a descrever cada uma das possíveis tecnologias para instalações de redes de sprinklers, é importante salientar que todo projetista ou instalador deve estar atento aos aspectos normativos referentes aos tubos e conexões que escolher antes de especificá-los em um projeto ou iniciar a instalação. No Brasil, a norma que especifica os requisitos técnicos dos materiais é a ABNT NBR 10.897 – Sistemas de proteção contra incêndios por chuveiros automáticos. Sendo assim, todas as tecnologias citadas neste artigo e demais normas de referência encontram anteparo neste documento.

A seguir, encontra-se uma descrição sucinta de cada uma das principais tecnologias disponíveis para instalação de redes de combate a incêndio por chuveiros automáticos.

Tubulações para sprinklers

AÇO AO CARBONO

O aço ao carbono é um produto tradicional e facilmente encontrado no mercado brasileiro. Esta tecnologia contempla a utilização de conexões roscadas e soldadas. É uma excelente escolha para obras nas quais não há grande complexidade de execução e os prazos de entrega não são apertados.

Os tubos de aço devem ser conforme norma ABNT NBR 5.580 – Tubos de aço-carbono para usos comuns na condução de fluidos – ou ABNT NBR 5.590 –

Tubos de aço-carbono com ou sem solda longitudinal, pretos ou galvanizados. As conexões com terminais roscados devem ser em ferro fundido maleável, de acordo com a ABNT NBR 6.943 – Conexões de ferro fundido maleável, com rosca – e NBR 6.925 – Requisitos de projeto e utilização das conexões roscadas em ferro fundido maleável, para uso em tubulação. As conexões de aço destinadas à solda devem obedecer à norma internacional

ANSI B16.9, que estabelece os requisitos dimensionais e de tolerância para estes produtos. Ainda sob o aspecto normativo é importante estar atento ao fato de que a utilização de conexões com uniões roscadas não pode ocorrer em tubulações de diâmetro maior que DN 50.

As principais vantagens na utilização deste produto são notadas na boa oferta de mão de obra, em especial para instalação de sistemas roscados, devido a décadas de aplicação desta tecnologia no Brasil, e também na disponibilidade de diferentes marcas e fabricantes nacionais. Na utilização de uniões soldadas diversos aspectos técnicos, métodos e procedimentos devem ser observados, o que implica na utilização de mão de obra qualificada e com grande experiência, se tornando um desafio em algumas situações.

As desvantagens da utilização deste produto tornam-se visíveis à medida que novas tecnologias, mais leves e resistentes à corrosão, se tornam disponíveis no mercado. De fato, toda tubulação de aço ao carbono deve receber atenção especial na pintura, que não é uma simples questão de identificação da rede de combate a incêndio, mas um aspecto importante na proteção da tubulação contra oxidação.

COBRE

O cobre é um material de excelente acabamento dimensional e resistência à corrosão, uma das escolhas mais técnicas para a instalação de redes de chuveiros automáticos.

Os tubos de cobre destinados à instalação de sprinklers devem ser conforme a norma ABNT NBR 13.206 – Tubo de cobre leve, médio e pesado, sem costura, para condução de fluidos. Em relação às conexões, a norma de referência é a ABNT NBR 11.720 – Conexões para união de tubos de cobre por soldagem ou brasagem capilar. Adicionalmente, deve

notar-se que o acoplamento entre tubos e conexões de cobre deve ser conforme a ABNT NBR 15.345 – Instalação predial de tubos e conexões de cobre e ligas de cobre.

Uma das principais vantagens da aplicação de tubos e conexões fabricados em cobre e suas ligas é que este material possui um ciclo de vida longo e requer pouca manutenção, além de ser facilmente reutilizável ou reciclado. Além disto, existe boa oferta de fabricantes disponíveis no mercado brasileiro e a maioria destes fabricantes possui estrutura de treinamento e qualificação de mão de obra.

As desvantagens na utilização deste material encontram-se na falta de competitividade em termos de preço, frente a tecnologias como o aço ao carbono, descrito anteriormente, e principalmente em um problema crônico encontrado em diversos canteiros de obra no Brasil, que é a falta de segurança em almoxarifados e o elevado índice de roubos e furtos em canteiros de obra, em especial de componentes de cobre, que possui alto valor agregado.

ACOPLAMENTO MECÂNICO

‘O acoplamento mecânico ranhurado é uma tecnologia que vem sendo utilizada, há anos, com grande sucesso em substituição ao processo de soldagem em dimensões acima de DN 50. É muito comum encontrar instalações que apresentam um mix de tecnologias, onde acoplamentos mecânicos ranhurados, também conhecidos como acoplamentos grooved,

são instalados nas dimensões maiores da tubulação de sprinklers, e outras tecnologias são aplicadas nos ramais de dimensões menores.

Os tubos utilizados por esta tecnologia de acoplamento são fabricados em aço e de fato, são os mesmos utilizados nas junções por rosca e solda e devem ser conforme ABNT NBR 5.580 ou ABNT NBR 5.590. Não existe restrição à aplicação de conexões por acoplamento ranhurado, pois o item 5.5.1, letra (h),

da norma ABNT NBR 10.897, destaca que outros tipos de conexões podem ser utilizados, “desde que comprovadamente testados por laboratórios de entidades ou instituições de reconhecida competência técnica”. Este ponto especificado pela norma só pode ser plenamente atendido por meio da apresentação de evidências de testes e ensaios

de conformidade. Uma das ferramentas de comprovação, como destaca o texto normativo, é a apresentação de certificados de órgãos de reconhecida competência técnica. Adicionalmente, a norma especifica que os anéis de vedação devem ser aprovados e que os sulcos devem possuir dimensões compatíveis com as conexões.

A principal vantagem da utilização do sistema de acoplamento ranhurado é a redução no tempo de instalação, que é crítico, principalmente em diâmetros tão grandes quanto 4” ou mais. Neste tipo de instalação a utilização de acoplamentos ranhurados chega a ser três vezes mais rápida que o processo de solda convencional, o que torna esta tecnologia a escolha ideal quando se tem prazos de execução apertados.

Obviamente, por se tratar de um produto mais avançado do ponto de vista tecnológico, o preço absoluto destas junções é mais elevado do que as conexões similares disponíveis para solda. Neste  caso, a avaliação de custo-benefício é fundamental para a viabilização de projetos. Uma desvantagem do sistema ranhurado é que a redução de tempo de instalação para acoplamentos de DN ≤ 50 mm, na qual em geral se utilizam conexões roscadas, não é tão significativa quanto em comparação com junções soldadas, o que  faz diversos instaladores não optarem pela sua utilização nestes casos.

CPVC 

A aplicação de tubos e conexões à base de termoplásticos de CPVC (Policloreto de Vinila Clorado) apresentam grande facilidade de transporte e manuseio, mas alguns requisitos técnicos devem ser observados na utilização deste tipo de produto.

Os tubos e conexões de CPVC devem ser conforme as normas ABNT NBR 15.647 – Tubos e conexões de poli(cloreto de vinila) clorado (CPVC) para sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos e NBR 15.648 – Estabelece as exigências e recomendações mínimas para a instalação de tubos e conexões de poli(cloreto de vinila) clorado (CPVC) para uso, e podem ser utilizados em sistemas de proteção por chuveiros automáticos para ocupações de risco leve até pressões de 1,21 MPa e em temperaturas ambientes de até 65 °C.

A maior vantagem na aplicação desta tecnologia encontra-se na metodologia simplificada de instalação e na grande disponibilidade de mão de obra treinada e com experiência na execução de juntas soldadas com aplicação de adesivo. É importante salientar que após a montagem entre tubos e conexões é necessário aguardar o tempo de cura do adesivo antes da execução de qualquer ensaio de estanqueidade.

A desvantagem na utilização deste produto reside na restrição da utilização para apenas ocupações de risco leve. Este ponto deverá ser levado em consideração, pois esta restrição limita a aplicação do produto em instalações industriais (área fabril), estacionamentos (mesmo que prediais), lojas, entre outras tipologias conforme o Anexo A da norma ABNT NBR 10.897.

COMPRESSÃO RADIAL

O sistema de compressão radial consiste na utilização de tubos e conexões fabricados em aço ao carbono no qual a junção entre os componentes acontece com a ajuda de um alicate hidráulico. Esta tecnologia é utilizada há décadas na Europa, e chega ao Brasil como uma alternativa para obras onde rapidez e praticidade são fundamentais.

O amparo normativo para este tipo de tecnologia é semelhante ao sistema de acoplamentos ranhurados, no qual os itens 5.3.5 e 5.5.1 (letra h), determinam que outros tipos de materiais podem ser utilizados desde que, em suma, comprovem sua aplicabilidade em sistemas de proteção por chuveiros automáticos, por meio de testes laboratoriais e do reconhecimento de instituições de reconhecida competência técnica.

A grande vantagem do sistema de compressão radial é a agilidade da instalação. Pode-se atingir uma redução de 70% no tempo absoluto de montagem, quando comparada à instalação do sistema roscado convencional, por exemplo.

Outro ponto que merece destaque é que não é necessário pintar os tubos e conexões neste tipo de instalação, pois eles são galvanizados e, por isto, resistentes à oxidação. Note, porém, que isto não extingue a necessidade da identificação da tubulação conforme exigido pela norma ABNT NBR 10.897.

As desvantagens na aplicação deste produto estão no preço absoluto do material que é maior que os sistemas convencionais, e na existência de poucas

empresas especializadas na distribuição deste produto no Brasil. Esta tecnologia se mostra vantajosa em obras de reforma em universidades, hospitais e outras edificações que precisam continuar em funcionamento durante a adequação da rede de sprinklers.

CONCLUSÃO

Em resumo, atualmente, existem diversas tecnologias disponíveis para a instalação de redes de sprinklers. Cabe aos profissionais da área estarem bem informados sobre as diferentes possibilidades e sobre as vantagens e desvantagens de cada produto frente às  necessidades de seus clientes.

Instalação de sprinkler

Revista Emergência

Por Rafael Turri

Nova tecnologia minimiza tempo de instalação e problemas ligados à rede de chuveiros automáticos

A crescente preocupação na preservação de patrimônios públicos e privados somados ao aumento do rigor da legislação e da fiscalização de instalações de redes de combate a incêndio tem proporcionado o surgimento de novas tecnologias, em geral importadas, destinadas a instalações de tubulações de chuveiros automáticos (sprinklers). Este artigo se  dedica a trazer um vislumbre geral sobre a tecnologia  de compressão radial e um comparativo técnico, destacando os pontos positivos e negativos em relação às tecnologias

convencionais disponíveis no mercado brasileiro.

DESCRIÇÃO 

Esta nova tecnologia difere dos processos convencionais de solda, rosca, acoplamento ranhurado, e termoplásticos de CPVC disponíveis no mercado brasileiro para a instalação de redes de chuveiros automáticos. O sistema de compressão radial consiste na utilização de tubos e conexões fabricados em aço ao carbono, porém com aspectos técnicos bem específicos. São tubos de precisão galvanizados interna e externamente com uma camada de zinco, produzida por um processo chamado Sendzimir. As conexões são igualmente fabricadas em aço ao carbono galvanizadas a quente com uma camada de zinco. Este conjunto fabricado em aço ao carbono, se destina a instalações de redes de chuveiros automáticos do tipo “molhado” (Wet pipe). Para instalações do tipo “seca” (Dry pipe) e para outros tipos de aplicação, existe a possibilidade de utilizar esta mesma tecnologia, mas desta vez, com o conjunto tubo e conexão fabricados em aço inoxidável.

A grande diferença desta tecnologia reside em dois pontos: (I) Utilização de um alicate de compressão automático para a junção dos tubos e conexões; (II) A vedação entre os componentes corre a partir de anéis O-ring, localizados nas extremidades das conexões, que proporcionam vedação mesmo em pressões muito superiores às exigidas no ensaio de estanqueidade da norma ABNT NBR 10.897 que é de, no mínimo, 1.350 kPa. A utilização de um alicate de compressão automático, transfere a responsabilidade pela estanqueidade das junções, do instalador, para uma ferramenta mecânica. A aplicação desta tecnologia tende a minimizar as falhas inerentes à mão de obra, por outro lado cria uma preocupação com calibração e manutenção de ferramental. Tubos e conexões de compressão radial são utilizados há  décadas na Europa. Em meados de 2008, surgiram as primeiras certificações destinadas ao uso em redes de combate a incêndio por chuveiros automáticos na Alemanha. Uma vez executada a junção entre tubo e conexão, não é necessária a manutenção dos anéis O-ring. Estes anéis são fabricados em borracha EPDM (Etileno-propileno-dieno) e possuem um tempo de vida estimado em 50 anos.

Os tubos e conexões estão disponíveis nos diâmetros de 28, 35, 42 e 54 mm o que equivale à 1”, 1 ¼”, 1 ½” e 2”, respectivamente. Estes são os diâmetros mais encontrados na instalação de ramais de redes de sprinklers, onde o produto é mais utilizado. Adicionalmente, alguns sistemas possuem tubulações de até 4”.

Instalação de sprinkler-3

NORMALIZAÇÃO

Ao utilizar tecnologias de compressão radial é importante estar atento aos aspectos normativos, pois os produtos pertencentes a esta tecnologia, disponíveis hoje no mercado não possuem uma normativa de aplicação específica. Sendo assim, como é possível utilizá-los em redes de chuveiros automáticos? A norma de instalação ABNT NBR 10897 especifica o seguinte em seu escopo: “Esta norma não tem a intenção de restringir o

desenvolvimento ou a utilização de novas tecnologias ou medidas alternativas, desde que estas não diminuam o nível de segurança proporcionado pelos sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos, nem eliminem ou reduzam os requisitos nela estabelecidos”. Sistemas de tubos e conexões de compressão radial se aplicam exatamente

no quesito de novas tecnologias estabelecido no texto.

Adicionalmente, os itens 5.3.5 e 5.5.1, letra (h), da norma ABNT NBR 10897, devem ser estritamente observados. Em suma, estes itens destacam que outros tipos de materiais para tubos e conexões podem ser utilizados, “desde que comprovadamente testados por laboratórios de entidades ou instituições de reconhecida competência técnica”. Este ponto especificado pela norma só pode ser plenamente atendido por meio da apresentação de evidências de testes e ensaios

de conformidade. Uma das ferramentas de comprovação, como destaca o texto normativo, é a apresentação de certificados de órgãos de reconhecida competência técnica.

Neste quesito, o consumidor deverá estar atento às evidências apresentadas pelo distribuidor da tecnologia de tubos e conexões com terminais de compressão. As principais certificações encontradas para esta tecnologia no mercado são: (I) FM Global; (II) UL; (III) VdS – Alemanha; e (IV) LPCB – Reino Unido. A apresentação de evidência de certificação

é uma garantia para o consumidor de que os produtos aplicados em redes de chuveiros automáticos são destinados a este fim e que foram exaustivamente testados para a aplicação. Algumas destas certificações incluem ensaios de exposição ao fogo em escala real, onde a tubulação é exposta, em um determinado período de tempo, a temperaturas da

ordem de 900 °C, não podendo apresentar vazamentos.

COMPARATIVO

A tecnologia de compressão radial tem maior aplicação nos ramais da rede de sprinklers, ou seja, nos diâmetros iguais ou inferiores a 2”. Este ponto, muitas vezes, pode ser considerado como uma desvantagem, pois, na maioria dos casos, não é possível executar uma instalação completa neste sistema, sendo necessário um “mix” de tecnologias, como por exemplo, compressão radial + sistema ranhurado, ou compressão radial + solda, o que é muito comum na Europa, berço da tecnologia de compressão radial. Por este motivo, fica claro que este material não tende a substituir ou competir com as tecnologias de conexões ranhuradas ou mesmo com o sistema de solda, e sim com o sistema polimérico fabricado em CPVC e também com tubos e conexões roscados.

Em comparação com as tecnologias que utilizam tubos e conexões fabricados em CPVC, o sistema de compressão radial apresenta mais segurança na estanqueidade das junções, uma vez que união entre as partes é feita com uma ferramenta automática, como foi destacado anteriormente. Porém, cabe ressaltar que a mão de obra brasileira é tradicionalmente treinada para a execução de soldas frias com adesivos poliméricos, uma herança do PVC destinado a instalações de água e esgoto. Por mais tecnológicas que as ferramentas de compressão radial possam ser, elas não fazem as instalações “sozinhas”, ou seja, existe grande necessidade de treinamento das equipes de instaladores para a aplicação desta nova tecnologia.

Em comparação com as tradicionais conexões roscadas, a grande vantagem

do sistema de compressão radial é a agilidade da instalação. Nota-se que há uma redução de 70% no tempo absoluto de montagem para os tubos e conexões de compressão radial, quando comparadas à instalação do sistema roscado convencional. O uso desta tecnologia

minimiza o procedimento de abertura de roscas nas extremidades dos tubos. Conexões roscadas são utilizadas apenas para a instalação do chuveiro automático para eventual transição com outro sistema, como o sistema ranhurado, ou para ligação com outro componente da rede de sprinkler, como válvulas, por exemplo. Em contrapartida, o sistema

de compressão radial é mais caro que o sistema roscado. Dependendo do projeto, a variação pode ser de 30% até 50% em valores absolutos de custo de matéria-prima.

Fica claro que a aplicação desta tecnologia carece de atenção por parte do consumidor. O produto só apresenta vantagem na sua aplicação quando se calcula a composição entre custo de matéria-prima e mão de obra. Para uma equipe de instaladores treinados, que já venceram a curva de aprendizagem desta  nova tecnologia, a redução no custo geral é da ordem de 20%.

Além da redução do tempo de instalação e aumento da produtividade das equipes de instaladores, outros pontos merecem atenção, como, por exemplo, a não necessidade de pintura das tubulações, uma vez que que estas já possuem uma proteção contra corrosão advinda da cobertura galvânica de zinco. Este ponto está em conformidade com a instrução da norma ABNT NBR 10897 no item 5.1.4 que estabelece os requisitos de identificação para tubulações de sprinklers. Porém, os tubos e conexões com terminais de compressão podem receber pintura, caso a instalação demande esta necessidade, conforme o exemplo de instalação neste artigo (ver foto na primeira página). Outras vantagens relacionam-se com a segurança proporcionada pelo produto uma vez que ele é mais leve e possui um procedimento de instalação mais limpo que os sistemas convencionais.

Mas os sistemas de compressão radial não possuem apenas vantagens, alguns pontos que merecem a atenção dos instaladores são a falta de intercambiabilidade

entre fabricantes, o que significa que não é possível adquirir o tubo de um fabricante “x” e as conexões de um fabricante “y”. Outro ponto desfavorável é que o Brasil ainda não produz este tipo de tubulação galvanizada pelo processo Sendzimir, ou seja, os materiais são, em

geral, importados da Europa.

APLICAÇÃO 

O sistema de compressão radial pode ser aplicado em qualquer instalação de redes de chuveiros automáticos “sprinklers”, porém, a sua aplicação tem se mostrado  especialmente interessante em reformas prediais. Quando se trata, por exemplo, da adequação de uma faculdade, hospital, galpão logístico, etc., que se encontram em funcionamento e não existe a possibilidade das atividades serem interrompidas para a instalação da rede de combate a incêndio, o produto se mostra vantajoso, devido às já citadas características de agilidade, limpeza, leveza e não necessidade de pintura. Em um ambiente cada vez mais competitivo, poder oferecer uma tecnologia mais rápida e precisa pode ser um diferencial para empresas instaladoras de redes de chuveiros automáticos “sprinklers”. A tecnologia de compressão radial tem se mostrado como uma excelente alternativa para empresas que buscam este tipo de posicionamento.

Certificação de sprinklers

Revista Emergência

Por Felipe Decourt


 À exceção da Norma Técnica Brasileira ABNT NBR 16.400:2015, não há literatura técnica produzida e disponibilizada no mercado nacional com profundidade para uma análise consistente sobre o produto chuveiro automático de combate a incêndio ou, mais popularmente conhecido, o sprinkler.

Esta escassez e, por consequência, a falta de conhecimento técnico aprofundado pela maior parte da cadeia produtiva do mercado de incêndio sobre detalhes cruciais da relação entre chuveiros automáticos de qualidade, normas técnicas e certificação, há quase uma década, resulta em decisões de engenharia e comercial de baixíssimo padrão e responsabilidade.

Há gigantescas diferenças entre sprinklers de qualidade – ou dispositivos fabricados à luz de uma norma técnica – como referência para o projeto de produto e os que simplesmente são fabricados e distribuídos no mercado sem qualquer preocupação de conformidade.

Considerando ser de conhecimento geral as estatísticas de sucesso de um sistema de sprinkler bem projetado, instalado e mantido para o controle e combate ao incêndio, cabe relacionar alguns dados e fatos irrefutáveis sobre incêndio e sistemas de sprinklers que façam emergir claramente a importância técnica do produto e seu processo de fabricação, qualidade e confiabilidade, entre eles: um foco de incêndio não combatido em seu princípio ganha altíssima potência, tornando-se incontrolável por sistemas automáticos ou manuais de pequeno/ médio porte, após um minuto a quatro minutos, dependendo da arquitetura do ambiente e tipo de carga combustível armazenada; após o surgimento do foco de incêndio, os chuveiros automáticos devem operar em 30 segundos, aproximadamente, para que haja efetivo controle do fogo antes de sua potencialização. Este fato pode ser observado no vídeo Side by Side, disponibilizado no canal do Youtube da ABSpk (Associação Brasileira de Sprinklers). Ao atuar, os chuveiros automáticos acionam todo sistema que, estando em boas condições de funcionamento, tem o objetivo de atrasar o efeito de potencialização do fogo (flashover) e amplia em mais de 30 minutos o tempo disponível para reação, sendo este mais do que suficiente para a chegada do Corpo de Bombeiros e a fuga dos ocupantes da edificação; com a ativação de um a cinco chuveiros automáticos, a taxa de sucesso no controle

do foco do incêndio gira em torno de 92% a 98% (NFPA, 2012, US Experiences with sprinklers), bem como haverá a redução de gases tóxicos, da temperatura e manutenção do oxigênio em patamares razoáveis à respiração humana (NIST, 2005, Estudo sobre o incêndio na Boate The Station Night Clube, Rhode Island 2003).

Certificação de sprinklers

Somam-se aos fatos acima, algumas constatações importantes que, mesmo sendo quase intuitivas, passam despercebidas no dia a dia, apesar de fundamentais para o objetivo e as conclusões deste artigo. O sprinkler é o “botão de LIGA” (ou uma chave normalmente fechada) do sistema de sprinkler. Se ele falhar, todo o investimento realizado no intuito de proteção da vida e do patrimônio poderá ter sido em vão; o sprinkler deve atuar no momento preciso do incêndio. Se funcionar antes, causa prejuízo e transtorno desnecessário e inutiliza o sistema até o seu reset, deixando a edificação exposta. Se funcionar depois, terá o mesmo efeito de não funcionar ou nem existir, pois não será capaz de combater um incêndio potencializado; o sprinkler deve funcionar a qualquer tempo e hora, seja no dia seguinte ao habite- se da edificação, ou 15 anos depois, numa noite de Réveillon, por exemplo. Como consequência desta expectativa de longo prazo, um sprinkler deve ser capaz de atuar de acordo com as referências técnicas padrão usadas nos cálculos

de projeto (Normas Técnicas), mesmo após suportar a ação do tempo, de esforços mecânicos (dilatação, pancadas e vibração) e do calor de um incêndio.

Levando em conta um prédio comercial padrão de 5.000m2, atendido por, aproximadamente, 500 sprinklers e, considerando que a expectativa de bicos atuantes fique entre uma a cinco unidades para contenção segura do fogo, podemos afirmar que a margem de erro na atuação dos chuveiros automáticos não pode ser maior que 1% (deveria ficar perto de 0,2%). A não atuação do primeiro sprinkler já compromete seriamente o sucesso do sprinkler mais próximo, já que o fogo deverá ganhar potência para atingi-lo.

Se a expectativa de falha do produto sprinkler é mínima (0,2%) e de acerto (atuação precisa e funcionamento correto) deve ser máxima (99,8%), podemos concluir que, ao se investir num sistema de sprinkler (projeto, instalação e manutenção), o elemento “acionador” do sistema, o chuveiro automático de combate ao incêndio, deve ser do mais alto nível de confiabilidade. Caso contrário, coloca- se o investimento e a segurança das pessoas, patrimônios e negócios em altíssimo grau de risco.

Diante disto, como garantir a confiabilidade máxima de um sprinkler, ou como

definir, parametrizar e medir a qualidade de um sprinkler, tendo como foco a falha zero em seu acionamento/funcionamento, no curto ou no longo prazo, é a questão principal deste artigo.

CONFIABILIDADE

O artigo “Sprinklers no Brasil: Apresentação e análise da nova norma ABNT NBR16.400:2015 – Enfim uma sólida base técnica para a construção de um mercado confiável”, do autor Braulio Viana, inscrito no 4º concurso do ISB (Instituto Sprinkler Brasil), comprovou, em pesquisa de campo, que o processo completo de fabricação de um sprinkler

envolve, aproximadamente, 142 etapas, sendo 20% delas etapas puramente fabris e 80% de processos de qualidade (entre manutenções, apontamentos, aferições, medições, descartes, controle de uso das ferramentas, instruções técnicas, treinamentos, tratamento estruturado das não conformidades, etc.). É importante ressaltar que os dados foram

extraídos de empresa e produtos certificados, o que justifica estes números surpreendentes. A relação de quatro processos de qualidade para um processo fabril é totalmente inédita até o presente momento.

Considerando o mercado médio brasileiro em torno de 1 milhão de chuveiros automáticos por ano como definir, parametrizar e medir a qualidade dos sprinklers, tendo como foco a falha zero em seu funcionamento, no curto ou no longo prazo, sabendo que, até estar pronto para aplicação, estes sprinklers são produzidos e montados por meio de, aproximadamente, 142 milhões de processos ao ano, ou 12 milhões de processos ao mês? A fim de elucidar melhor a relação entre os desafios de resultados esperados pelo produto e seu processo fabril qualificado, vamos recordar as partes de um sprinkler, demonstrado na Figura 1.

Baseado somente nos dados da questão central deste artigo e considerando a estrutura básica de um sprinkler, ou seja, a parte fixa (corpo defletor e parafuso de fixação) e as partes móveis (bulbo, obturador e elemento vedante), é possível delinear de forma bem simples alguns parâmetros iniciais da qualidade. São eles: resistência dos materiais; montagem estanque e equilibrada; e funcionalidade.

No que diz respeito à resistência dos materiais, a liga metálica e o processo de proteção superficial devem garantir resistência física às intempéries e esforços mecânicos e térmicos por pelo menos duas décadas, tempo em que a própria tubulação do sistema já terá se deteriorado. Calor, vibração, impactos mecânicos externos, golpes hidráulicos e corrosão seriam os principais riscos à integridade das partes fixas e móveis de um sprinkler. Desta forma, ele deve ser resistente no longo prazo para que possa funcionar corretamente a qualquer tempo.

Em relação à montagem estanque e equilibrada, o processo de montagem é crucial no sprinkler, pois é nesta fase que a parte fixa e as partes móveis se encaixam e se equilibram por meio de um sistema de forças, no qual o corpo é esticado e as peças móveis comprimidas. A centralidade do corpo, bem como a  qualidade da usinagem dele e do elemento vedante, atrelada à força de equilíbrio do sistema (produto sprinkler montado), que gira em torno de 500N (Newtons), são cruciais para a funcionalidade dos chuveiros automáticos, no longo e no curto prazo. O controle da qualidade no processo fabril e no processo de montagem é, portanto, um ponto crítico de sucesso para se obter um produto funcional e de qualidade assegurada.

E, por fim, a funcionalidade do produto. Garantir materiais resistentes e uma montagem estanque e equilibrada são pré-requisitos para um sprinkler de qualidade, mas não são suficientes, pois é preciso atender também às especificações/ensaios técnicos padrão de atuação, definidos em Normas Técnicas e considerados pelos projetistas no cálculo de sistemas. Antes de tudo, um sprinkler precisa atuar dentro da faixa nominal de temperatura do elemento sensível. Em seguida, deve resistir à pressão da água e distribuí-la no ambiente, por meio do defletor, de forma padronizada, constante e na vazão correta. É por esta razão que, ao atuar, nenhuma parte móvel do sprinkler deve ficar presa à parte fixa, pois alteraria os padrões de distribuição da água.

Ao compreender a necessidade de coexistência destes três grupamentos técnicos no processo de qualificação de um sprinkler, começamos a delinear um caminho para responder nossa questão.

Definir ensaios técnicos para cada grupamento significa parametrizar e criar uma forma pragmática de medir e garantir a qualidade de um sprinkler. Os ensaios de funcionalidade terão impacto no projeto do produto em relação às dimensões e design do sprinkler, a fim de garantir a correta vazão e distribuição da água. Os ensaios de resistência dos materiais e montagem estanque e equilibrada ajudarão na análise dos pré-requisitos físicos do sprinkler, a fim de que as funcionalidades dele sejam garantidas no curto e no longo prazo.

A atual Norma Técnica Brasileira – ABNT NBR 16.400:2015 – Chuveiros automáticos para controle e supressão de incêndios – Especificações e métodos de ensaio, atualizada com base nos atuais padrões internacionais para o produto, é robusta, adequada e está pronta para cumprir a função de elo vital para o fortalecimento de um mercado confiável.

Da atual Norma Técnica Brasileira, bem como da ISO 6182:2015, FM2000:2006 e UL199:2017 podemos destacar ensaios técnicos para cada grupamento. Resistência dos materiais: exposição ao calor; ensaio de choque térmico; resistência ao impacto; resistência ao calor; resistência à vibração; e resistência à corrosão. Montagem estanque e equilibrada: exame visual; ensaio de estanqueidade; ensaio de resistência hidrostática; resistência ao vazamento por 30 dias; resistência ao vácuo; e resistência ao Golpe de Aríete. Funcionalidade: ensaio de temperatura; ensaio de funcionamento; ensaio de distribuição de água; ensaio de sensibilidade térmica – ITR /Fator C; e ensaio de vazão – Fator K.

A existência da atual Norma Técnica com todos estes ensaios não significa que o problema de qualidade de chuveiros automáticos está resolvido, mas o primeiro grande e importante passo já foi dado.

Enquanto não existir legislação que  parametrize a qualidade técnica mínima de sprinkler aceita no Brasil, apesar do Código de Defesa do Consumidor ser claro quanto à proibição de se colocar no mercado produtos em desacordo com as Normas da ABNT, podemos entender melhor os riscos de um produto desqualificado e, sendo profissionais da área de segurança, tomar decisões mais seguras e que de fato aumentem as chances de preservação da vida, dos patrimônios e negócios. Desta forma, o conhecimento é essencial no processo decisório.

Se listarmos todos os equipamentos de um sistema como, por exemplo, eletrobombas, chaves de fluxo e válvula de governo e alarme, perceberemos o que  parece ser o óbvio para alguns, mas que não é percebido por muitos: o sprinkler é o único produto que, ao ser plenamente testado, é inutilizado (como o fósforo), ou nenhum sprinkler instalado nunca foi e nem será plenamente testado.

O primeiro fato conclusivo desta constatação é que testar lote de sprinkler não representa nada isoladamente. Mesmo quando realizados nos mais reconhecidos laboratórios e aprovados em todos os testes, nenhum sprinkler do lote testado poderá ser instalado. Esta prática, lamentavelmente, tem sido muito comum nos últimos anos, na qual chuveiros sem certificação foram levados ao IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e, mesmo sem ter aprovação do lote em todos os ensaios técnicos, foram ofertados ao mercado brasileiro e adquiridos por quem desconhecia as consequências. A segunda conclusão é que para validar um lote testado e afirmar que a fábrica que produziu este lote, de fato, reproduz com qualidade garantida todos os seus sprinklers, à semelhança do lote, é preciso que haja total controle e uniformidade do processo produtivo desta fábrica.

Certificação de sprinklers 2

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Somente por meio da construção do conhecimento, por meio desta cadeia lógica de procedimentos, é que podemos entender a suma importância da certificação de chuveiros automáticos no processo de garantia da qualidade.

A essência do processo de certificação está na auditoria. Ou seja, na metodologia na qual uma instituição gabaritada verifica fábricas com um olhar imparcial, crítico e construtivo. Aponta, questiona, discute e registra falhas no processo, que, muitas vezes, não eram percebidas pelo próprio fabricante, mas que, aos poucos, ajudam na construção cada vez mais consistente de um processo fabril qualificado e seguro.

Processos sérios de certificação de sprinklers envolvem duas auditorias complementares: a auditoria técnica, para avaliar o desempenho dos chuveiros automáticos à luz dos ensaios de Normas Técnicas de referência, como as da ABNT, FM e UL, e a auditoria de Gestão da Produção (ISO 9001:2008/2015), sobre a linha fabril dos sprinklers. Somente desta forma é possível definir, parametrizar e medir a qualidade dos chuveiros automáticos e, ao mesmo tempo, auditando a linha de produção, garantir que os milhões de processos envolvidos na fabricação sejam bem controlados a ponto de manter a conformidade em todos os produtos liberados para aplicação.

A emissão do Certificado de Qualidade por parte da instituição certificadora é uma forma de comunicação ao mercado de que determinado fabricante foi auditado, que o lote testado foi aprovado nos ensaios descritos na Norma Técnica e que o processo produtivo é controlado a ponto de garantir conformidade e uniformidade. Ou seja, o lote testado, de fato, representa tecnicamente toda a produção daquela fábrica.

A certificação garante e comunica ao mercado quais sprinklers atuarão em 30 segundos, “ligando” o sistema a qualquer tempo/hora, atrasando a evolução do incêndio e, com isto, dando tempo para a fuga dos ocupantes e chegada dos bombeiros. Enfim, o processo de fabricação com certificação é de fato o único caminho seguro para  salvar vidas, patrimônios e negócios. Enquanto o processo de Legislação ainda não parametriza qualidade técnica para bicos de sprinkler no Brasil, faça a sua parte: exija sprinklers certificados! Agora, você já sabe por que.

Instalação de sprinkler

Revista Emergência

Por João Carlos Wollentarski Júnior


Cuidados mínimos no acabamento final de uma instalação de chuveiros automáticos

Como qualquer obra de engenharia, uma instalação de chuveiros automáticos precisa de um acabamento final para que tudo ocorra dentro do esperado e que os sprinklers só funcionem em caso de incêndio. Para a felicidade de todos, este retoque final não requer anos de experiência ou mesmo o conhecimento de segredos guardados a sete chaves, basta seguir os requisitos presentes na norma de instalação ABNT NBR 10897 e nos catálogos técnicos dos produtos.

Grande parte das patologias em instalações de chuveiros automáticos não ocorrem por falhas na operação do sistema durante um incêndio e sim durante o período que a instalação está em repouso. Vazamentos, aberturas inesperadas de bicos de sprinkler, rompimento de tubulações e conexões, danos a manômetros e chaves de fluxo são alguns dos inconvenientes vividos por muitos proprietários deste tipo de instalação.

Quando um proprietário vive o calvário de uma patologia em sua instalação de  sprinkler, geralmente, ele passa a enxergar o sistema de forma pejorativa, visto que a entrada de água em um local sem necessidade pode trazer prejuízos tão grandes quanto um princípio de incêndio.

Bicos de sprinkler não são projetados para abrirem em situações de temperatura normal no ambiente. Sendo assim, por que em algumas instalações temos chuveiros entrando em funcionamento sem que se atinja a temperatura de operação dele? Geralmente, a resposta a este fenômeno advém do cuidado no manuseio e instalação do próprio equipamento. Os bicos de sprinklers são um dos elementos mais sensíveis de uma

instalação, porém, não é raro este produto ser tratado como uma peça qualquer. Em muitas obras, os instaladores recebem os bicos devidamente embalados de fábrica, incluindo até presilhas plásticas para proteger o elemento sensível, sendo desembalados pelo encanador e jogados dentro de caixas para serem levados ao local da instalação. Como se não bastasse, é comum alguns encanadores usarem chaves inapropriadas para o rosqueamento do bico na tubulação, causando danos físicos ao elemento termossensível imperceptíveis a olho nu. Esta falta de zelo pode acarretar na abertura do bico por causa da quebra do elemento termossensível e não pelo excesso de temperatura.

Todos os fabricantes trazem no catálogo de seus produtos que eles não podem ser manuseados desta maneira e a maioria, inclusive, vem com estas informações nas próprias embalagens dos sprinklers. Vale ressaltar ainda que a própria NBR 10.897 indica que deve

ser disponibilizado, junto aos bicos de sprinklers, reservas chaves próprias para instalação dos bicos, afim de disponibilizar para o proprietário do sistema uma ferramenta adequada para manuseio futuro.

Instalação de sprinkler

VAZAMENTOS

Em geral, os vazamentos estão associados à ausência de testes hidrostáticos da rede ou falta de válvula de alívio de pressão. Toda rede de sprinkler deve ser ensaiada hidrostaticamente com uma pressão de, no mínimo, 350 kPa acima da pressão máxima do sistema e nunca inferior a 1.350 kPa, por, no mínimo, duas horas. Válvulas de governo devem possuir uma pequena válvula de alívio para aliviar pressões que excedam às máximas admitidas para a rede em função de variações térmicas naturais do ambiente.

Ambos os requisitos descritos aqui estão presentes na NBR 10.897, porém, são constantemente ignorados por maus instaladores. Vale ressaltar que a água é um líquido incompressível, pequenas variações de temperatura tendem a elevar e muito as pressões nas tubulações e uma tubulação não adequadamente testada a esta situação e sem válvula de alívio tende a apresentar vazamentos, principalmente nas roscas dos bicos de sprinklers ou nas conexões da rede. Este tipo de vazamento é característico pois, geralmente, está associado a gotejamentos. Problemas nas conexões como posicionamento inadequado das borrachas no acoplamento, roscas malfeitas ou conexões trincadas são, em geral, identificados nos testes hidrostáticos. Conhecer previamente estes problemas evitam prejuízos futuros e são essenciais para uma instalação adequada.

ROMPIMENTO

Rompimentos de tubulações e conexões, bem como a quebra de manômetros e chaves de fluxo, normalmente, estão associados a transientes hidráulicos (Golpes de Aríete). Este tipo de fenômeno não é previsto para ocorrer em redes de chuveiros automáticos, porém, não é raro encontrarmos patologias associadas a isto. Golpes de Aríete são interrupções bruscas de escoamentos em uma rede hidráulica criando sobrepressões de grande monta que, muitas vezes, superam a capacidade máxima de pressão dos equipamentos. Basicamente, para se evitar este tipo de problema são utilizadas válvulas de bloqueio de fechamento lento, drenagem do ar da rede e configuração das partidas das bombas próxima das pressões máximas que estas atuam. A NBR 10.897 indica que é proibido usar válvulas onde o tempo de fechamento delas seja inferior a cinco segundos. A norma também indica que as pressões de partida das bombas para automação devem levar em conta as pressões máximas admitidas na rede (bomba a vazão zero com reservatório cheio de água) de forma que, quando a bomba principal entrar em funcionamento, a diferença de pressão existente na rede e a pressão acrescida ao sistema em função do funcionamento da bomba seja de no máximo 1 bar. O ar é um elemento compressível e funciona como uma mola. Redes de chuveiros automáticos do tipo “molhado” (Wet pipe) devem possuir água no seu interior e não ar, conforme definido na NBR 10.897. A drenagem do ar é importante e deve ser feita antes de o sistema ser colocado em funcionamento.

Normalmente, os maiores problemas de patologias advindas de golpe de aríete estão associados à regulagem com baixa pressão da automação das bombas relacionadas a redes com muito ar. É comum os instaladores regularem as pressões das partidas das bombas com valores baixos, pois nesta situação a rede ficará em repouso com baixas pressões e a chance de vazamentos é muito menor. Os proprietários, por sua vez, geralmente usam as redes de hidrantes para limpeza de pátios (procedimento inadequado e proibido pelos Corpos de Bombeiros). Estas redes estando conectadas ao sistema de sprinklers fazem com que a bomba entre em funcionamento e quando ela é desligada não é feito um procedimento para purgar o ar. Sendo repetido diversas vezes, este método tende a deixar a rede com muito ar. Em um momento do futuro, por um desgaste natural, a bomba de pressurização (jockey) virá apresentar algum defeito e se tivermos uma despressurização a bomba principal será acionada. Ou seja, será uma combinação fatal, pois a bomba entrará em funcionamento com nenhum ponto para água escoar. Como a pressão que a bomba exerce no sistema é muito maior que a pressão de repouso que o sistema se encontrava, a bomba irá injetar água na tubulação e como não temos bicos de sprinklers abertos ou hidrantes em funcionamento, esta água irá comprimir o ar existente como se fosse uma mola sendo pressionada. A partir daí, teremos o desenvolvimento do golpe de aríete no qual o efeito mola do fluido na tubulação entrará em ressonância, gerando pressões excessivas na rede. Em geral, aqui temos rompimento de tubulações, conexões e quebras de manômetros e chaves de fluxo.

DICAS

Para uma avaliação simples de uma instalação de sistema de sprinklers, os proprietários devem: verificar a integridade dos bicos de sprinklers, buscando uma plataforma e inspecionando visualmente. Normalmente, numa instalação bem-feita eles estão íntegros, sem “mordidas”, com o defletor e os braços firmes e alinhados. Sugere-se ainda que o clamp (presilha laranja para proteger o elemento termossensível do bico) seja retirado somente após toda a obra estar completa, incluindo as demais instalações e os acabamentos do ambiente; verificar junto às válvulas de governo se foram instaladas válvulas de alívio. Normalmente, estas possuem uma tubulação de cobre flexível saindo delas e lançando em um dreno; solicitar ao instalador o formulário com os testes hidrostáticos da tubulação. Basicamente, ele vai conter os dados da rede, a pressão de ensaio, a data e o tempo que ficou pressurizada; verificar se as regulagens de partidas e parada das bombas estão compatíveis com as pressões máximas do seu sistema, levando em conta inclusive o reservatório cheio de água. Se a partida da bomba principal estiver com pressões próximas de 1 bar abaixo da pressão máxima do sistema é um indicativo que as regulagens estão corretas; observar se as válvulas da rede de sprinkler são de fechamento lento. Válvulas de esfera são admitidas apenas em drenos ou testes. Válvulas borboletas devem possuir volante redutor (nunca usar válvulas com aliancas); nunca use ou deixe usar a rede de hidrantes para fins que não sejam de combate a incêndios, mesmo que seja para limpeza final de obra; e se for necessário o uso de hidrantes ou se um bico entrou em operação, restabeleça a pressão da rede de sprinklers para colocá-la em repouso, retirando o máximo de ar possível dela. Se não tiver habilidade para isto, solicite auxílio de um técnico experiente.

Um sistema de sprinkler bem instalado e devidamente mantido é uma das melhores armas que existem para redução de perdas e proteção de vidas. O capricho final de uma instalação promove segurança e confiabilidade. Fique atento e valorize o seu produto.

Sprinklers e o senso comum

Revista Incêndio
Por João Carlos Wollentarski Júnior


Sprinklers e o senso comum

Sistema de sprinklers não é só para preservar patrimônios, é uma das melhores soluções para preservação de vidas! Neste artigo, tomo a liberdade de escrever em primeira pessoa a fim de que o diálogo seja esclarecedor e, principalmente, para que seja narrado de forma cronológica.

No mês de abril, tive a oportunidade de ler a reportagem da edição de Março de 2017 da revista Incêndio chamada “Métodos Diferentes”. Como profissional da área e atual presidente da Associação Brasileira de Sprinklers (ABSpk), não pude deixar de ficar incomodado com tamanha irresponsabilidade nos comentários que dizem respeito ao sistema de sprinkler. Trata-se de um debate inapropriado, em um espaço inadequado e sem fundamento técnico ou científico.

Em junho, no dia 14, acordei e me deparei com um incêndio de grandes proporções no edifício residencial Grenfell Tower, em Londres. E as poucas informações que tínhamos no momento eram:

1) Houve vítimas fatais e inúmeros feridos;

2) O mesmo desenvolveu-se verticalmente tomando praticamente toda a edificação;

3) Trata-se de um edifício da década de 1970, que não possuía sistemas de sprinklers.

A relação entre esses dois eventos está no fato que, indiretamente, um contradiz o outro. E o papel deste artigo é exatamente mostrar que sprinkler, há mais de cem anos, vem salvando vidas e talvez, num futuro próximo, teremos debates amplos e abertos no Brasil para instalação deste tipo de tecnologia em edificações residenciais.

No século 19, junto com a revolução industrial, nascem os grandes incêndios em edificações. Muitos estudos foram realizados na Inglaterra e nos EUA para o desenvolvimento de um sistema eficaz e automático de combate a incêndios. As primeiras patentes, no início do século 19, aparecem na Inglaterra em um conceito de tubos perfurados. No final deste mesmo século, Henry Parmelee e Frederick Grinnell desenvolvem os primeiros bicos de sprinkler que, apesar de ser uma tecnologia muito parecida com os tubos perfurados, tinham o diferencial de possuir um defletor para distribuição da água e um elemento termossensível de atuação.

Em 1887, tanto a UL quanto a FM já tinham definidos padrões  de proteção por sprinklers, e as seguradoras já reconheciam a importância da tecnologia para proteção contra incêndios. Nos anos seguintes, temos a criação da National Fire Protection Association (NFPA) e também a norma NFPA 13 (norma para instalação de sistemas de sprinklers).

Sprinklers e o senso comum 2

Na primeira década do século 20, grandes tragédias abalaram os EUA levando a centenas de mortes por incêndios. No incêndio do Rhodes Opera House, em Boyertown, Pensilvânia, foram 171 mortos; no Iroquois Theater, em Chicago, Illinois, houve 602 mortos; e no edifício fabril Triangle Shirtwaist, em Nova York, foram mais 145 mortos. Apesar do sprinkler ter sua popularidade já reconhecida nesta época pelas seguradoras e pelos proprietários de edificações que conheciam a tecnologia, a maioria das edificações nos EUA

ainda não possuíam esse tipo de proteção.

Em 1913, a NFPA cria o Life Safety Code (NFPA 101) com base em um estudo que indicou que, após 38 anos de instalação de sistemas de sprinklers, apenas cinco pessoas haviam morrido nas edificações com esta tecnologia. Nascem então os primeiros critérios para definição de onde instalar sistemas de sprinkler para proteção de edificações tendo como premissa a proteção à vida.

Em 1953, a norma de sprinkler NFPA 13 é revisada para previsão do tipo de sprinkler que usamos até hoje, denominado sprinkler padrão. Na década de 1970, essa mesma norma entra com a previsão de cálculos hidráulicos visto que, agora, temos computadores para fazê-los. Nesta mesma época, iniciam-se os estudos para criação de uma norma de sprinklers para edificações residenciais (NFPA 13D). No início da década de 1980, temos as certificações dos primeiros bicos de sprinklers residenciais e grandes avanços nos sprinklers de resposta rápida. Nessa mesma época, um incêndio no hotel MGM Grand, em Las Vegas, vitimou 85 pessoas. A consequência desta tragédia foi um grande esforço nos EUA para reformar os edifícios altos, com retrofit de sistemas de sprinkler. No Brasil, nesta época, começamos a ter as primeiras exigências de sistemas de sprinklers depois dos grandes incêndios que ocorreram na década de 1970.

No início dos anos 1980, a norma de instalação de sprinklers NFPA 13 passa a recomendar o uso de bicos de resposta rápida, tornando-os obrigatórios a partir de 1997 em áreas de risco leve. Esta mudança veio para melhorar as condições de segurança dos ocupantes de edificações de grande concentração de público (igrejas, hotéis, edifícios de escritórios, escolas e afins). Sendo um bico que abre mais rápido, a área queimada é menor, a quantidade de gases tóxicos liberadas é menor e, consequentemente, maior é a eficácia na proteção de vidas. Essa mesma exigência entrou na norma brasileira de instalação de sprinklers NBR 10897, em 2007.

Em 2003, em Rhode Island, 100 pessoas perderam suas vidas em uma boate que não possuía proteção por sprinklers. Um estudo do National Institute of Standards and Technology (NIST), do Departamento de Comércio dos EUA, demonstrou através de ensaios em escala real que, se houvesse sprinklers neste tipo de ambiente, em nenhum momento as condições de sobrevivência dos ocupantes da boate deixariam de ser mantidas, sendo bem provável a redução radical ou a inexistência de vítimas fatais. No estudo, em pouco mais de um minuto, a boate sem sprinklers já estava tomada pela fumaça com concentrações altíssimas de gases tóxicos e temperaturas elevadas impossibilitando as condições de sobrevivência. Quando se repete o incêndio em escala real, dessa vez com um sistema de sprinklers instalado, o combate ao incêndio inicia-se poucos segundos após o início do fogo e, consequentemente, temos pouquíssima liberação de gases e baixas temperaturas. Essas condições não só permitiriam que as pessoas evacuassem o local com segurança, mas também facilitariam o acesso das equipes de resgate e de combate. Infelizmente, no Brasil, não fomos capazes, como sociedade, de aprender com o erro dos outros e repetimos a mesma tragédia, dez anos depois, na Boate Kiss. Um incêndio exatamente com as mesmas características, porém, com um número bem maior de vítimas fatais.

Sprinklers e o senso comum 3

Em julho do ano passado, o mundo ficou chocado com um incêndio em um grande edifício em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Um arranha céu residencial de 76 pavimentos queimou em uma das cidades mais imponentes do planeta. O incêndio alastrou-se rapidamente pela fachada, tal como aconteceu agora no edifício Grenfell, em Londres. Comum aos dois incêndios foi o desenvolvimento vertical pela fachada, mas a grande diferença entre ambos é que, no primeiro, não houve mortes. No segundo, foram dezenas de vidas perdidas.

É cedo para dizer as causas e traçar um paralelo entre os dois incêndios, mas o que chama atenção é que no edifício de Dubai tínhamos sprinklers e no de Londres não. Não é de se esperar que uma edificação protegida por sprinklers fosse capaz de controlar um incêndio se desenvolvendo em sua fachada, mas, com certeza, propiciaria melhores condições para evacuação das pessoas, visto que evitaria o desenvolvimento horizontal do incêndio no interior dos pavimentos.

Vejo com certa preocupação a análise de alguns profissionais da área de incêndio no Brasil, que insistem em repetir que o sprinkler é uma tecnologia para salvar patrimônio e não vidas. Esta afirmação além de ser equivocada mostra um grande desconhecimento sobre toda a história da tecnologia conforme exposto neste artigo.

Baseado em que um profissional afirma que é errado os Corpos de Bombeiros e a ABNT aceitarem critérios maiores para distância máxima até uma saída de emergência em edificações protegidas por sprinklers? Conforme dito anteriormente, desde 1913, quando se criou o primeiro código de segurança de vidas (NFPA 101 – Life Safety Code), os sprinklers são entendidos como aliados da preservação de vidas e não só do patrimônio. Será que o mundo inteiro está errado, incluindo a NFPA, a ABNT e os Corpos de Bombeiros?

Infelizmente, no Brasil, existe a cultura de tratar incêndios com base em percepções populares e sem qualquer respaldo técnico científico. Parece lógico que detecção automática de incêndios, controle de fumaça e controle de materiais de acabamento são tecnologias importantíssimas para preservar vidas, e fundamentais para um projeto eficaz de segurança contra incêndio.

Intuitivamente, todo ser humano é capaz de entender a vantagem desses três sistemas e acreditar que eles salvam vidas. Eu também acredito, leitor, mas não é isso que está em discussão. O que se discute aqui é se o sprinkler é também um meio eficaz de salvaguardar vidas. O sprinkler não é só um meio eficaz como tem demonstrado há mais de um século a sua eficiência. Os sistemas de sprinkler possuem as seguintes vantagens em relação à segurança da vida:

1) Não deixa o incêndio se propagar nos ambientes. Ele controla, suprime ou mesmo extingue focos de incêndio no interior das edificações;

2) É um sistema automático que irá atuar independente da vontade humana e está disponível 24 horas por dia nos 365 dias do ano;

3) Ao controlar um incêndio no seu início, o aumento do calor é interrompido e a produção de gases tóxicos é diminuída. Lembre-se que o que gera intoxicação por fumaça é a concentração de gases tóxicos no ambiente. Se eu reduzo drasticamente a produção desses gases, propicio condições não só de evacuação das pessoas como também de acesso das equipes de combate;

4) Facilita o trabalho das equipes de combate visto que receberão um incêndio já controlado, podendo demandar maiores esforços no atendimento às vítimas.

Sociedades avançadas buscam seus caminhos através de pesquisas, estudos e engenharia. É nosso dever proteger as pessoas com as melhores tecnologias disponíveis. A experiência vivida pelos outros deve servir como inspiração para não cometermos os mesmos erros. Tragédias como a da Boate Kiss poderiam ser evitadas assim como do edifício Grenfell Tower, em Londres. Então, leitor, vamos aprender com os erros dos outros ou vamos esperar a nossa próxima tragédia? Busque sempre o melhor. Estude, pergunte, procure se informar e pense sempre nas tecnologias como aliadas e não como inimigas.

Normas brasileiras e o CB-24

Revista Incêndio
Por Mariana Junqueira


Normas brasileiras e o CB-24

Grupos como a ABSpk (Associação Brasileira de Sprinklers), o CB-24 (CB-24 – Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio) e a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) desenvolvem um trabalho muito importante para a sociedade. O CB-24, por exemplo, na elaboração dos projetos de normas brasileiras para sistemas de combate a incêndio por chuveiros automáticos; e a ABSpk, com a divulgação do sistema de sprinkler como uma das soluções mais eficientes para controle e supressão de incêndios.

Porém, se pararmos para pensar no quanto cresceram as instalações de sistemas de proteção por sprinklers no Brasil ao longo dos últimos dez anos e compararmos com a quantidade de profissionais especializados e interessados neste assunto no mercado, atualmente, a conta não vai fechar.

Em novembro de 2014, tivemos o 1° CBSpk 2014 (Congresso Brasileiro de Sprinklers), organizado pela ABSpk, que foi um sucesso de público e de conteúdo. A maioria dos participantes eram os associados da entidade com suas equipes. Também tivemos representantes dos Corpos de Bombeiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Santa Catarina, além de alguns projetistas, instaladores e clientes finais. Mas, minha impressão é de que as pessoas que estavam no Congresso eram “as mesmas de

sempre”. Os profissionais naturalmente interessados em se manter atualizados, seja por meio das reuniões da comissão de estudos do CB-24, ou dos treinamentos e palestras promovidas por fabricantes, entidades e seguradoras. Isso me deixa preocupada, pois, com o aumento na demanda por projetos e obras de sistemas de sprinklers, com certeza, há maior quantidade de prestadores de serviços nesta área. Sabemos que não temos um curso de especialização no Brasil. E, com isso, eis a pergunta que não quer calar: Onde estão e quem são estas pessoas? Como elas estão sendo capacitadas para este tipo de projeto/obra? Qual a qualidade desses projetos e instalações, se a capacitação é tão precária?

Pensando na grande quantidade de novos projetistas e instaladores, e na demanda

por sistemas de sprinklers que tende a crescer nos próximos anos, estou convencida

da importância de termos normas técnicas de qualidade desenvolvidas no Brasil, mesmo que baseadas em normas já consagradas internacionalmente. O processo de discutir, depurar e chegar a um texto final que seja adequado para nossas condições é

muito importante. E é fundamental que os profissionais da área, tantos os experientes

quanto os jovens, participem desse debate.

Uma norma é uma forma acordada e repetível de se fazer algo. É um documento

que contém especificações técnicas, ou outros critérios precisos, desenvolvidos para

serem utilizados como regra, diretriz ou definição. Elas tornam a nossa vida mais

simples e aumentam a confiabilidade e a efetividade de muitos produtos e serviços

que usamos. O mais importante é que as normas são o resultado de um trabalho

coletivo, criadas a partir de um conjunto de experiências e conhecimentos de todas

as partes interessadas.

Todo projeto de sprinklers deve estar calçado em uma norma de instalação. A única norma brasileira de instalação atualizada é a ABNT NBR 10897 – que estabelece os requisitos mínimos para o projeto e a instalação de sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos – utilizada para sistemas de sprinklers de uso geral, exceto depósitos. A norma de proteção de depósitos, ABNT NBR 13792, está obsoleta e se encontra em revisão, atualmente. E quando partimos para casos específicos – como casas de bombas, armazéns refrigerados e aerossóis, entre outros – temos que usar as normas internacionais.

Por este motivo, é comum a utilização de normas estrangeiras pelos projetistas no

Brasil. Nossa referência para o desenvolvimento de projetos é o conjunto de normas da NFPA (National Fire Protection Assossiation). Acredito que a NFPA 13 e NFPA 20 sejam as mais utilizadas. Em casos mais específicos e, geralmente, a pedido das seguradoras, também são utilizadas as normas da companhia de seguros FM Global.

Se levarmos em consideração a quantidade de novos projetistas e instaladores

de sistemas de sprinklers, necessitamos com urgência de normas desenvolvidas no Brasil. Assim, acredito, será possível diminuir os erros de projeto cometidos muitas vezes pela interpretação errada da norma.

Algo interessante que acontece em todas as reuniões do Comitê de Sprinklers da ABNT, que se reúne todos os meses no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), em São Paulo, é que os mais jovens aprendem com o pessoal mais experiente, e vice-versa. Às vezes, há várias interpretações para um mesmo parágrafo porque, realmente, cada um entende de um jeito. E é nessa hora que vemos a importância da participação no grupo para que exista uma discussão e se chegue a um consenso.

A partir do momento que tivermos um conjunto de normas brasileiras, todos os estados poderão utilizar as mesmas referências, inclusive, o Corpo de Bombeiros, o que tornará o trabalho de todos – projetistas, instaladores, fornecedores, bombeiros e seguradoras – mais fácil e uniforme, resultando em maior qualidade e menores custos para o consumidor final.

Voltemos ao papel da Comissão de Estudos de Chuveiros Automáticos (sprinklers), que é um braço do subcomitê de Proteção Ativa Contra Incêndio do CB-24, um dos comitês Técnicos da ABNT, que é responsável por elaborar projetos de normas, ou seja, desenvolver os textos das novas e revisar as existentes para que sejam mantidas atualizadas.

Uma Comissão de Estudos é formada por três grupos de interesse distintos, com o objetivo de equilibrar o resultado do texto final: o grupo de Produtores, que representa o mercado e é composto, principalmente, por fabricantes e distribuidores de produtos; o grupo dos Neutros, formado por empresas que não têm interesse econômico direto na venda dos produtos tratados pela norma. Nesse grupo, estão as seguradoras, Corpo de Bombeiros, laboratórios de testes, sindicatos etc. O último grupo é o dos Consumidores, que são usuários do objeto da norma. São empresas que utilizam sistemas de sprinklers, além de projetistas e instaladores que não têm uma relação formal com os fabricantes e distribuidores.

Para que uma norma seja publicada, pelo menos uma pessoa de cada um destes grupos tem que participar efetivamente das reuniões. Portanto, convido a todos para fazerem parte dessa equipe, principalmente, os usuários das normas que são os projetistas, instaladores, responsáveis por análise de projeto do Corpo de Bombeiros e seguradoras.

É muito importante a participação de representantes de Corpos de Bombeiros, que possuem experiências práticas e vivem situações reais, conhecimento muito importante para quem está projetando.

A participação dos projetistas também é fundamental, pois são os que relatam as situações práticas mais incomuns. Em muitas destas, o que está escrito na norma não pode ser aplicado na prática. Isso vale também para os instaladores que, muitas vezes, recebem um projeto perfeito, aprovado pelo Corpo de Bombeiro, pela seguradora e pelo cliente. Mas, quando vão instalar, por exemplo, percebem uma eletrocalha que não estava no projeto, ou um duto de ar condicionado com altura diferente do descrito. Por falta de conhecimento, o que eles fazem é simplesmente mudar o projeto, “instalando um pouquinho mais pra lá”.

É isso que vai fazer a diferença na hora de um incêndio real.

Uma linha de sprinkler obstruída ou um retardo no seu acionamento por não respeitar a altura de instalação podem comprometer a eficácia do sistema. Casos assim acontecem todos os dias e vão continuar acontecendo. O importante é saber identificá-los e encontrar a melhor solução, o que sabemos que, algumas vezes, é muito difícil. Mais ainda, enquanto não houver uma norma nacional. Ao propor um conjunto de normas brasileiras, visamos atender diversos objetivos:

 ◗ Manter ciclos de revisões curtos, o que já vem acontecendo com a NBR 10.897, que foi revisada em 2007 e teve uma nova publicação em 2014;

◗ Atender a uma necessidade real que, no caso das normas internacionais, tratam de assuntos que não condizem com a nossa realidade; ter aplicação prática, isto é, ser implementável;

◗ Ter conteúdos que contemplem vários impactados e consensuais, para gerar benefícios e não entraves. Daí a importância do envolvimento do maior número de pessoas ligadas ao temas. Isso se fará naturalmente com a participação de todos os interessados, uma vez que os temas são amplamente discutidos nas reuniões e concluídos com a aceitação da maioria;

◗ Não inibir o desenvolvimento tecnológico, o que é muito importante, uma vez que as normas são revisadas a cada três anos (NFPA). Nesse período, se um fabricante lança um produto novo, testado e certificado para uma situação específica que não está na norma atual, ele terá que aguardar até a próxima revisão de norma para comercializá-lo? Não, novas tecnologias poderão ser utilizadas, desde que o fabricante forneça um catálogo técnico com todas as informações de critérios de projeto e critérios de instalação.

E o que nós podemos fazer para que mais pessoas tenham acesso aos assuntos relacionados aos sistemas de sprinklers? Penso que temos várias soluções. Uma delas, seria o incentivo da ABSpk e de outras entidades para que os associados se comprometam a enviar um representante de Engenharia para participar das reuniões do CB-24. Outra opção pode ser descentralizar as reuniões, que hoje são feitas em São Paulo, para outras regiões ou Estados. Também temos a Internet, na qual podemos enviar a convocação das reuniões, não somente para aqueles que participam mensalmente, mas colocar no site da ABSpk e de veículos especializados. Ficam as sugestões e o convite para participar conosco do CB-24.

Bombas para sistemas de sprinklers

Revista Incêndio
Por Enzo Sardano


Bombas para sistemas de sprinklers

A correta escolha da motobomba de combate a incêndio é de extrema importância em qualquer instalação de sprinklers. Ela é o “coração” do sistema e, em eventual falha de funcionamento, toda a solução estará comprometida. Ainda que o projeto e a instalação da rede de sprinklers esteja de acordo com as normas de incêndio, uma bomba mal dimensionada pode colocar em risco toda a edificação. Portanto, quando a empresa responsável pela compra ou especificação das bombas do projeto solicita ao fabricante uma proposta técnica e comercial, deve se atentar às informações a serem passadas para a correta seleção.

Motores e pressurização

Primeiramente, devem ser informados os tipos de motores que serão utilizados (elétrico ou diesel) e se existirá bomba de pressurização (jockey). Na especificação do sistema de bombeamento, o projetista deve se atentar às exigências normativas relativas a essa escolha e, juntamente com o proprietário, considerar onde serão instaladas e

a opção mais viável economicamente.

A maioria das normas não solicita a instalação de duas bombas, principal e reserva. Mas, no caso de um motor elétrico, exige que a alimentação tenha autonomia e redundância para um eventual corte ou falta de energia. Nesse caso, muitas vezes opta-se por um gerador a diesel para essa segunda fonte de alimentação. Normalmente, o motor a diesel é mais custoso, mas outros itens são importantes para a verificação da viabilidade total, como, por exemplo, a alimentação redundante e bitolas de cabos que farão a alimentação e infraestrutura, entre outros.

A bomba jockey (pressurização) é normalmente exigida para que seja mantida uma pressão constante na rede, de forma que, na necessidade de atuação do sistema de sprinklers, exista água na tubulação e o combate tenha início imediatamente, antes mesmo da partida das bombas principais. A jockey é uma bomba pequena e com custo irrelevante se comparado a todo o sistema de bombeamento.

Pressão e vazão

A vazão de trabalho e altura manométrica total (pressão total na qual as bombas deverão trabalhar) são informações que devem ser calculadas previamente e informadas ao fornecedor no ato da cotação. É importante salientar que variações de vazão e, principalmente, de pressão, podem acarretar variações desproporcionais num orçamento.

Uma dúvida muito comum entre os projetistas e instaladores refere-se ao segundo ponto da curva da bomba: afinal, este é ou não de responsabilidade do projeto? A resposta é: não faz parte do projeto, porém, sim, é responsabilidade do fabricante dimensionar a bomba para que atenda dois pontos na curva da bomba. Ou seja, a pressão e vazão nominal e uma segunda relação de pressão e vazão, conforme estabelecido nas normas NFPA 20 e NBR 10897 (respectivamente, normas americana para bombas de combate a incêndio e norma brasileira sobre proteção contra incêndio por chuveiro automático).

Portanto, o fabricante deve garantir que a bomba fornecida atenda a esse segundo ponto da curva onde, a 150% da vazão de trabalho, a bomba assegure uma pressão maior ou igual a 65% da pressão nominal.

Quando o fornecimento necessitar de conjuntos motobomba que sejam listados pela UL e aprovados pela FM (entidades internacionais certificadoras da qualidade de sistemas de sprinklers), as vazões são predefinidas, basicamente, com variações de 500 GPM entre cada modelo. Por exemplo, se temos a necessidade de 400 m³/h, ou seja, 1761 USGPM, teremos que trabalhar com uma bomba que atenda à vazão de 2000 USGPM, ou 454 m³/h, pois este é o valor imediatamente superior para uma bomba certificada. Uma bomba menor, provavelmente, não atenderia à necessidade do projeto, pois seria de 1500 USGPM ou 341 m³/h.

Nos casos de bombas aprovadas pela FM, o primeiro ponto é a vazão e pressão nominal já predefinidas e, a partir deste, um segundo deverá ser garantido. O projetista deverá verificar se o ponto necessário para o projeto está dentro da curva, entre esses dois pontos. Já para as bombas nacionais, o segundo ponto deverá ser calculado a partir dos dados de projeto, ou seja, vazão e pressão necessárias calculadas pelo projetista.

A AMT (altura manométrica total) deve ser informada de forma a evitar qualquer alteração depois de comprada ou instalada, pois existem casos nos quais uma pequena alteração na AMT altera totalmente o conjunto motobomba e inviabiliza o equipamento definido inicialmente. Isso porque as bombas também são definidas por ranges de pressão, por exemplo: um modelo de bomba pode ser listado UL e aprovado FM para a vazão de 2500 USGPM e AMT de 125 a 138 psi (pound force per square inch, unidade de medida de pressão por polegada quadrada); neste caso, somente o diâmetro do motor é alterado para atingir este range de pressão. Caso a alteração da AMT seja definida para 145 psi, todo o conjunto motobomba, outra bomba e outro motor diesel (potência consumida maior), deverá ser trocado. Quando esta alteração ocorre tardiamente, seja o equipamento comprado ou instalado, o prejuízo é bem grande.

Bombas para sistemas de sprinklers 2

Informações adicionais

A localidade da instalação da bomba também é um item muito importante para especificação, pois o fabricante deve calcular e considerar as perdas de eficiência do motor quando combustão à diesel, em função da altitude e temperatura de cada cidade. O volume do tanque de combustível será definido pelo fabricante da bomba baseado na potência nominal do motor diesel, conforme prevê a NFPA20, mas pode ser previamente calculado pelo projetista ou instalador, caso este saiba a potência para o modelo desejado, com

o cálculo de um galão por HP de potência (5,07 L para cada kW). deve ser somado 5% deste volume para expansão do combustível e outros 5% para reserva, ou seja, o fundo do reservatório, onde se deposita as impurezas ou borras provenientes do combustível.

Por fim, também é de extrema importância prover toda informação referente à parte elétrica do sistema, seja alimentação em caso das bombas elétricas ou sinais para comunicação com o painel de alarme. Para motores elétricos, é preciso informar a tensão de alimentação disponível, bem como definir o tipo de partida que deverá ter este motor. As motobombas elétricas, normalmente com função principal no sistema, são de porte considerável em sistemas de sprinklers, e a forma como será realizada a partida elétrica – soft-start,

estrela-triângulo ou, ainda, direta – terá muita influência no preço do painel elétrico e nas necessidades de energia da planta no cliente.

Para os motores elétricos, uma avaliação cuidadosa deve ser feita, pois a potência da bomba – juntamente com a tensão de alimentação, forma de ligação e distância da subestação ou disjuntor dedicado mais próximo – impactará o dimensionamento dos cabos que serão interligados ao painel elétrico deste motor. Cálculo este que, muitas vezes, não é levado em consideração e acarreta custos anteriormente não previstos para a montagem da Casa de Bombas.

Quando houver necessidade de sinais extras a serem providenciados no painel elétrico, tanto para motobombas diesel como elétrica, estes devem ser comunicados ao fabricante antes da compra, pois os painéis normalmente são fornecidos com sinais de acordo com os descritos na NFPA 20. A inclusão de novos sinais após o painel instalado muito provavelmente não será possível sem a troca do equipamentos, gerando ainda mais custos e descontentamento ao cliente.

Os sinais solicitados pela NFPA 20 e também NBR 10.897, são:

◗ Bomba funcionando

◗ Falta de fase ou falta de corrente de comando

(motores elétricos)

◗ Partida em posição manual ou painel desligado

◗ Falha no sistema

◗ Sistema automático desligado

◗ Baixa pressão de óleo no sistema de lubrificações

◗ Aquecimento excessivo de água de arrefecimento

◗ Falha na partida automática do motor

Em suma, com todas estas informações bem definidas, a seleção da motobomba será correta e evitará grandes problemas durante e após a instalação.