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ABSpk alerta para capacidade de sprinklers salvar vidas

Revista Hydro
Maio/2016
ABSpk alerta para capacidade de sprinklers salvar vidas
Por João Carlos Wollentarski


ABSpk alerta para capacidade de sprinklers salvar vidas

Para a Associação Brasileira de Sprinklers (ABSpk), o país precisa superar a impressão errônea de que o uso desses chuveiros automáticos anti-incêndio não chega a ser suficiente para salvar vidas. Para o presidente da ABSpk, João Carlos Wollentarski, esta questão não é sequer discutida em países desenvolvidos, onde a obrigatoriedade de sprinklers avança para abarcar o seu uso também em residências unifamiliares.

“No Brasil ainda se coloca em dúvida a efetividade dos sprinklers para preservar vidas em incêndios e por isso a obrigatoriedade de uso muitas vezes é negligenciada”, diz o presidente. Até mesmo para reforçar a importância do sistema a ABSpk promoveu dia 13 de abril em Paulínia, SP, o primeiro ensaio em escala real para queimar duas salas simulando um escritório: uma com um sprinkler, que cobre uma área de 21 m2 e outra sem. “Em poucos segundos de ativação do chuveiro as pessoas podem ver pelo teste Side by Side que as chamas não se propagam mais e que há controle de fumaça. Isso com certeza protege as pessoas no ambiente”, diz. Já o sem a proteção rapidamente é consumido pelo fogo.

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Segundo Wollentarski, as autoridades no Brasil têm grande dificuldade para aprender com os erros, o que não acontece, por exemplo, nos EUA, que sempre depois de grandes tragédias acabam tornando ainda mais rigorosas as obrigatoriedades com relação à segurança de combate ao incêndio. “O acidente da Boate Kiss deveria servir de incentivo para recrudescer medidas preventivas, o que não ocorreu”, lembra.

Já nos EUA, além de o uso de sprinklers em edificações ser já centenário, ano após ano as medidas são mais rigorosas, muitas vezes como parte de resposta pública contra tragédias ocorridas em algumas cidades. Desde 2006, por exemplo, depois que uma norma nova foi publicada (NFPA 5000), muitos estados norte-americanos começaram a exigir sprinklers em casas comuns, tendo em vista que muitas das mortes em incêndios ocorrem à noite, por pegarem os moradores de surpresa ainda durante o sono. “Com um sprinkler, o ataque ao fogo independe da ação dos humanos, o que garante em muito as chances de sobrevivência”, diz.

Uma prova do atraso brasileiro no assunto é o fato de mesmo em São Paulo, onde existe a legislação mais avançada no assunto no país (Decreto 56.819, de março de 2011), haver muitas limitantes para aplicação de sprinklers, exigido pelo decreto apenas em edifícios com mais de 30 metros de altura. “Isso nem se discute mais em países desenvolvidos. A exigência é para todas as edificações com circulação maior de pessoas e famílias”, diz.

Apesar dessa limitação da legislação paulista, Wollentarski reconhece que se o resto do país pelo menos a adotasse, já seria um grande passo, tendo em vista que a maioria dos Estados nem tem leis próprias sobre o assunto. Não à toa, essa é a primeira meta da Frente Parlamentar de Segurança contra Incêndio, que no Congresso Nacional debate a criação de uma norma nacional, baseada na paulista, para disciplinar o assunto tão perigosamente deixado de lado no Brasil.

“O perigo dos sprinklers sem certificação”

Os sprinklers “fora de norma” são aqueles sem certificação e que não obedecem aos requisitos das normas brasileiras ou internacionais similares, pois não passam por uma fiscalização de qualidade, utilizando em sua composição materiais mais baratos e menos resistentes. Em geral, são provenientes da China ou de algum outro país asiático. Uma das maiores preocupações da comunidade internacional de segurança contra incêndio está no risco potencial de esses produtos apresentarem falha no funcionamento, por conta de um detalhe imperceptível a olho nu. Apesar de terem sido banidos das normas técnicas internacionais desde 2003, os produtos “fora de norma” ainda fazem uso de anéis de borracha (tipo o-ring) na vedação. Com o tempo esse material pode se dissolver e grudar o obturador ao corpo do sprinkler, literalmente entupindo a saída de água. Mesmo que haja o rompimento do bulbo, a eficácia do sistema de incêndio instalado ficará 100% comprometida. Assim, por uma questão de segurança e de confiabilidade, é fundamental que os compradores/consumidores exijam o Certificado de Conformidade do Produto, uma espécie de atestado de confiança, que só é expedido por entidades habilitadas para a certificação de sprinklers. No Brasil, as únicas reconhecidas são a ABNT, BRTüV, FM e UL.

Fonte: Skop Sprinklers

Como os sprinklers podem evitar danos e salvar vidas

Revista Incêndio
Novembro/2016
Como os sprinklers podem evitar danos e salvar vidas


Frequentemente são veiculadas notícias de incêndios em indústrias, museus e outras instalações, com enormes prejuízos ao patrimônio e, muitas vezes, com perdas humanas.

Imaginar que os transtornos poderiam ter sido evitados com o uso dos sprinklers torna as tragédias ainda mais dolorosas, como foi o caso do acidente da Boate Kiss, em Santa Maria, RS, que não contava com nenhum sistema de combate automático de proteção contra incêndio.

No Brasil, além da ausência de legislações que tornem mais rigorosas as obrigatoriedades
com relação à segurança, sprinklers “fora de norma”, sem certificação, estão invadindo o mercado. “A partir de 2008 houve um grande aumento na quantidade de bicos importados. Em 2013, foram importadas 1,5 milhão de unidades. Atualmente, cerca de 75% destes dispositivos não possuem certificação”, disse Felipe Melo, diretor Financeiro e Coordenador do Comitê Técnico da ABSPk – Associação Brasileira de Sprinklers – durante a segunda edição do Congresso Brasileiro de Sprinklers, evento realizado no final de outubro no Rio de Janeiro.

Um estudo realizado pela IFSA – International Fire Sprinkler Association, entidade com sede nos EUA, para avaliação de qualidade dos sprinklers no Brasil, mostrou uma taxa de falha de 47,5%, um índice altíssimo e que compromete a eficácia do sistema de incêndio. As falhas, quando admitidas, são limitadas a 1%. O estudo, feito recentemente em parceria com a ABSpk, analisou o desempenho de 486 sprinklers, todos sem certificação retirados de uma garagem em Jundiaí, SP, retirados de um edifício comercial localizado na região da Berrini, na Capital paulista. “Todos os produtos foram cuidadosamente retirados, embalados e enviados para o UL – Underwriters Laboratories e FM Approvals, nos EUA”, disse Nick Gross, conselheiro da IFSA.

O estudo foi baseado na verificação minuciosa de 36 itens, muitos dos quais imperceptíveis a olho nu. Um dos maiores problemas foi o uso dos anéis de borracha (o-ring) na vedação, apesar de terem sido banidos pela FM/UL desde 2003. Todos os sprinklers avaliados tinham o anel, material que pode se dissolver e grudar o obturador no corpo do sprinkler, entupindo a saída de água ou afetando a distribuição efetiva da água. “A água vai para todas as direções, mas não no foco do incêndio”, disse Gross.

Sem qualquer tipo de proteção, um incêndio ganha uma potência enorme, em pouco tempo, entre 1 e 4 minutos. Nesse caso, mesmo que o Corpo de Bombeiros chegue rápido, em 10 minutos, o fogo já estará descontrolável. Um sprinkler bem projetado e certificado tem uma eficácia de 95% na extinção de incêndios e pode atrasar a propagação em 15 a 20 minutos, tempo suficiente para que o bombeiro chegue e controle a situação. “Com isso, pode salvar vidas: o risco de mortes por incêndio é reduzido drasticamente, mesmo no ambiente onde o fogo teve início”, disse Gross.

“O usuário precisa ter a certeza de que o sprinkler irá funcionar quando for preciso, não importa se hoje ou daqui a 10 anos”, disse Felipe Decourt, vice-presidente da ABSpk. Da mesma forma, o chuveiro automático não pode funcionar antes da hora. Com um produto de qualidade, a probabilidade de disparo acidental é baixíssima, inferior a uma em 14 milhões.

Embora o país conte com uma norma brasileira de sprinklers, a NBR 16400/2015, além de entidades certificadoras com a ABNT Certifica e UL, e fornecedores de produtos, os sprinklers fora de norma estão ganhando espaço. “É difícil concorrer com produtos não certificados”, disse Decourt, que também é diretor da Skop, do Rio de Janeiro, fabricante nacional de sprinklers, todos certificados pela ABNT, FM e UL. Mas a busca pelo menor preço é o que tem dominado as compras no Brasil: enquanto o bico fora de norma custa R$ 5,00, o produto certificado chega a R$ 20,00. “Se compararmos com o investimento total de uma obra e o grau de segurança fornecido, o custo dos sprinklers é muito baixo. Mas se a opção recai sobre os produtos de má qualidade, o custo acaba sendo alto, pois ninguém sabe se o sprinkler funcionará quando for necessário. E o resultado pode ser uma grande tragédia”, disse Decourt. Além das campanhas de conscientização, divulgação de melhores práticas, capacitação de profissionais e desenvolvimento do setor, realizadas por entidades como a ABSPk, IFSA e ISB – Instituto Sprinkler Brasil, os avanços estão ocorrendo em outras inciativas. “Estamos trabalhando na elaboração de uma lei nacional que oriente e defina o padrão de comportamento na prevenção dos incêndios”, disse o Deputado Federal Vicentinho, que preside a Frente Parlamentar de Segurança contra Incêndio, composta de deputados federais e senadores.
Hoje não há leis que obrigam ao uso do dispositivo. Apenas em São Paulo há um decreto que obriga a adoção dos chuveiros em edifícios com mais de 30 metros de altura, diferente dos países desenvolvidos, onde a exigência vale para todas as edificações com maior circulação de pessoas.

O casamento perfeito do sprinkler com o teto

Revista Incêndio
Maio/2018
O casamento perfeito do sprinkler com o teto
Escrito por associado: João Carlos Wollentarski


 

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A busca pela proteção por chuveiros automáticos, invariavelmente, passa pela análise apurada do tipo de teto onde os bicos serão instalados. Tetos inclinados, obstruídos, combustíveis e afins geralmente requerem uma atenção um pouco maior. Este artigo irá focar, principalmente, na posição de instalação dos bicos junto aos mesmos.

O teto ideal para qualquer bico de sprinkler deve ser plano, liso e incombustível, porém, esta não é uma realidade que nos deparamos sempre. Para começar, temos que identificar as seguintes características dos tetos que receberação os sprinklers: 1- Declividade: tetos até 16,7% de declividade são considerados planos, acima são inclinados; 2- Escoamento de fumaça: teto de construção não obstruída ou de construção obstruída; 3- Composição do material: combustível ou incombustível.

Dos itens apresentados ao lado, o número 2 é o que gera maiores confusões. Para melhorar o entendimento, vamos à conceituação do que é um teto de construção obstruída ou não conforme previsto na NBR 10897 (item 3.14 e 3.18). Tetos obstruídos são aqueles cujas vigas, nervuras ou outros elementos impedem o fluxo de calor e a distribuição de água, afetando fisicamente a capacidade de controle ou extinção de incêndio pelos chuveiros automáticos. Já os desobstruídos não impedem o fluxo de calor e a distribuição de água, portanto não afetam fisicamente a capacidade de controle ou extinção de incêndio pelos chuveiros automáticos. Os tetos desobstruídos têm elementos estruturais horizontais vazados. As aberturas nos elementos devem constituir pelo menos 70 % de sua área e a profundidade não deve exceder a menor dimensão das aberturas. São também considerados desobstruídos todos os tetos onde o espaçamento entre elementos estruturais exceder 2,3 m, medidos entre eixos.

A NFPA 13 no item A.3.7.1 dá exemplos mais claros que ajudam a identificar o tipo de teto, a norma cita 10 possíveis casos de tetos obstruídos, abaixo listei os que geralmente temos no Brasil.

Tetos com vigas: obstruído se as vigas ou abas estão espaçadas entre 0,9 e 2,3m. Se tivermos painéis no teto (baias) com área inferior a 28m2, independente se a distância entre vigas for maior que 2,3m;

Teto de viga “T” (laje Pi) ou Laje nervuradas (cubetas);

Treliças com revestimento ou não de proteção passiva, onde o resultado final do conjunto obstrui mais de 30% da área da mesma; Treliças com banzo superior com mais de 10cm de altura;

Tetos com terças tipo “C ou Z” com alturas maiores que 10cm; Agora que o leitor já aprendeu a identificar os tipos de tetos, vamos separar os bicos de sprinklers em dois grupos: supressão (ESFR) e spray.

Os bicos de supressão tipo ESFR são geralmente utilizados em áreas de estocagem. Eles promovem a supressão precoce de um incêndio atuando de forma rápida e lançando grande quantidade de água. Para que isto ocorra, é vital que a distribuição de calor no teto seja uniforme, assim, será garantido que os bicos mais próximos do foco do fogo vão se abrir rapidamente e suprimir o incêndio lançando grande quantidade de água no lugar certo. Este tipo de bico só pode ser usado quando todas as condições abaixo são atendidas:

O teto não pode ter mais que 16,7% de declividade (teto plano);

Teto de construção não obstruída (combustível ou não) ou de construção obstruída desde que o mesmo seja incombustível; Quando a profundidade das vigas ou abas do teto exceda 300mm, os bicos devem ser instalados em cada canal formado pelos elementos estruturais.

A primeira vez que lemos os itens acima, temos a certeza de que isto é tranquilo de ser atendido, mas geralmente não é. Vamos a alguns exemplos: ◗ Em telhado tipo Shed com declividade maior que 16,7%, não se aplica ESFR;

– Em telha tipo “calhetão”, concreto ou metálico, só pode ser aplicado se a altura dos canais da telha tem até 300mm ou se forem instalados sprinklers em todos canais da telha. Este tipo de bico de sprinkler não muda suas características de áreas de cobertura e distâncias máximas e mínimas e nem a altura de instalação em função do tipo de teto. Um detalhe curioso, apenas pode ser verificado em relação a altura de instalação dos bicos que seguem a seguinte regra:
– Bicos pendentes K200 e K240 8 Defletor entre 150mm e 356mm do teto; ◗ Bicos pendentes K320 ou K360 8 Defletor entre 150mm e 457mm do teto; ◗ Bicos para cima K200 e K240 8 Defletor entre 75mm e 300mm do teto.

Este tipo de bico de sprinkler não muda suas características de áreas de cobertura e distâncias máximas e mínimas e nem a altura de instalação em função do tipo de teto. Um detalhe curioso, apenas pode ser verificado em relação a altura de instalação dos bicos que seguem a seguinte regra:

– Bicos pendentes K200 e K240 8 Defletor entre 150mm e 356mm do teto;
– Bicos pendentes K320 ou K360 8 Defletor entre 150mm e 457mm do teto;
– Bicos para cima K200 e K240 8 Defletor entre 75mm e 300mm do teto.

Naturalmente, os ESFR são pendentes. Encontramos no mercado bicos para cima (up-right) K14 ou K17, porém, os critérios para aplicação deste modelo são bem reduzidos, fazendo com que sua aplicação seja restrita. Levando em conta que na maioria das situações temos que usar bicos pendentes, o tamanho dos elementos contidos no teto pode ser um problema natural para aplicação. Geralmente, passamos o tubo abaixo destes elementos para que seja possível a suportação, o que pode, eventualmente, gerar dificuldades para manter o defletor dos bicos dentro dos limites indicados acima. Não é raro uma situação na qual poderíamos adotar um bico K14 ou K17 optarmos por K22 ou K25 para que seja possível instalar o bico respeitando os critérios indicados.

Um outro detalhe que pode chamar a atenção do leitor é que não temos canoplas de acabamento para forros. A lógica está no fato de que os mesmos devem ficar a pelo menos 150mm do teto. Esta distância evita que o bico entre em operação muito rápido visto que, neste caso, podemos ter a abertura de fora da área antes que o incêndio seja controlado pelos bicos que estão próximos.

Os bicos tipo spray são usados desde a década de 50 e muitos ensaios e estudos foram feitos com este tipo de sprinkler. Muitas vezes, não se pode usar um ESFR por causa das restrições ou mesmo por outros motivos, tais como uso de redes do tipo seca ou de ação prévia (ESFR são permtidos apenas em redes do tipo molhada). Neste caso, os bicos spray são a única solução. Vale dizer que é largamente usado em locais onde não há áreas de estocagem.

Diferente dos bicos ESFR, os spray não possuem restrição quanto à instalação. Eles podem ser usados em qualquer situação, desde que atendido todos os requisitos normativos adequados.

os critérios de área e distância para este tipo de bico, levando em conta o tipo de construção de teto; se o mesmo é combustível ou não e o tipo de critério de dimensionamento hidráulico. Em risco leve, por exemplo, podemos ter a área máxima de cobertura do bico variando de 12,1 à 20,9m2.

No caso de tetos não obstruídos, a regra de instalação de sprinkler é extremamente simples: o defletor deve ficar entre 25mm e 300mm do teto. Para os obstruídos temos quatro opções para instalação dos bicos que seguem abaixo:

1- Defletores entre 25 e 150mm abaixo dos elementos
estruturais limitado a uma distância máxima do teto
de 550mm;
2- Se o elemento estrutural for muito alto e a regra
anterior não puder ser aplicada, instalar os bicos acima
da face inferior dos elementos estruturais com a
distância máxima do teto de 550mm;
3- Instalar os bicos em cada baia entre 25 e 300mm do teto;
4- Para tetos com laje T (Pi) ou laje nervurada, com distância entre abas ou nervuras inferior a 2,3m instalar os bicos de sprinkler no mesmo nível ou 25mm abaixo da aba ou nervura.
O leitor mais atento observará que instalar o bico com o defletor, dentro dos limites indicados acima, pode ser um desafio. Muitos profissionais, para resolver o problema, utilizam um dispositivo denominado “coletor de calor” junto ao bico de sprinkler que encontra- se fora dos limites. Este tipo de equipamento não é admitido na norma brasileira de instalação de chuveiros automáticos, ABNT NBR 10897, desde 2007 e também não encontra respaldo na norma americana, a NFPA 13. Passados mais de 10 anos, ainda é comum encontrarmos instalações novas com este tipo de equipamento.

Existem outros critérios para situações diferentes tais como bicos de sprinkler laterais (sidewall), bicos do tipo dry-pendent, bicos de cobertura estendida e os que possuem aprovação por aplicação especial. É impossível, neste breve espaço, tratar de todos, mas as informações aqui contidas fatalmente abrange mais de 90% das instalações. Convido o leitor a estudar os outros tipos de bicos complementar o entendimento sobre o assunto.

Um bom projeto de chuveiros automáticos deve ser cuidadosamente pensado levando em conta todo o seu entorno, só assim poderemos ter a certeza de que a prescrição que estamos adotando, de fato, será eficiente na aplicação que pretendemos.

Sistemas de sprinklers – Projeto Técnico x Projeto Executivo

 

Revista da Instalação
Agosto/2018
Sistemas de sprinklers – Projeto Técnico x Projeto Executivo
Escrito por associada: Mariana Junqueira


 

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Introdução

“O projeto técnico aprovado pelo Corpo de Bombeiros está para os sistemas de sprinklers, assim como o projeto de arquitetura está para a construção de uma edificação”. Ninguém constrói uma casa apenas com o projeto arquitetônico. Você construiria a sua? SISTEMAS DE SPRINKLERS: Projeto Técnico X Projeto Executivo

Enquanto essa máxima não for compreendida pelo colaborador responsável em contratar os serviços de instalação do sistema de sprinkler, ainda teremos milhares de sistemas sendo instalados errados, usando como base o projeto técnico “aprovado”.

De quem é a culpa

Confesso que fica difícil explicar para a pessoa que está nos contratando, que na maioria das vezes é um profissional da área de engenharia ou segurança do trabalho, que o projeto técnico que ele tem “aprovado” não pode ser utilizado para instalação, porém, eu mesma já ouvi mais de uma dúzia de vezes desses mesmos profissionais que: “se o projeto foi aprovado pelo Corpo de Bombeiros, ele será instalado conforme projeto aprovado e o sistema de sprinklers tem que ser aprovado na vistoria. Afinal de contas eles que aprovaram!”.

Então, será que o problema está no Corpo de Bombeiros, que aprovou o projeto técnico e não deixou claro no despacho de aprovação que o que foi aprovado é apenas um projeto preliminar, e que esse projeto (preliminar) não pode ser utilizado para instalação dos sistemas, devendo o proprietário contratar uma empresa especializada para fazer o projeto executivo e também contratar uma empresa especializada para fazer a instalação (muitas vezes as empresas fazem o projeto e a instalação, o chamado contrato turn key), e que ele deve, ainda, verificar se a empresa que ele está contratando tem experiência nesse tipo de sistema (gostaria de escrever certificado, mas não temos uma certificação nessa área, ainda)? Ou o problema está nas empresas de projeto que não orientam seus clientes sobre o tipo de projeto que ele vai precisar contratar, além do projeto técnico que está contratando? Confesso que eu já ouvi muito por aí que o projeto técnico feito pela empresa “X” é praticamente um executivo…, mas não é executivo. E se não argumentarmos, continuamos a desvalorizar o nosso próprio trabalho. A mesma empresa pode fazer o técnico e o executivo, não vejo problemas nisso, desde que seja um executivo completo. Se tem competência para isso, tem mais é que fazer.

Não podemos esquecer das empresas instaladoras mais desavisadas, que são as que geram os maiores problemas depois, pois olham o projeto técnico de sprinklers e acham que ele é como um projeto técnico de hidrantes, onde só não se deve alterar a posição pontual dos hidrantes, mas se precisar alterar o caminhamento da tubulação, tudo bem!

Sprinkler não é assim. Uma empresa que se disponha a fazer a instalação de sistemas de sprinklers tem que saber sobre o sistema, como ele funciona, quais as implicações das obstruções, mudanças de caminhamento, instalação de muitas curvas não previstas no projeto, a pressão mínima que um sprinkler tem que trabalhar, etc. O responsável pela empresa que está na obra tem que saber de tudo isso, ele tem que entender que sprinkler não é hidrante e que não se trata de instalação hidráulica simplesmente. O instalador tem que ser especialista no assunto.

O que posso afirmar é que a contratação de uma empresa instaladora de sistema de sprinkler com base unicamente no preço é a opção mais trágica possível, normalmente elas estão inversamente relacionadas com a capacidade dos instaladores.

Implicações

Está claro na IT-23 – Sistemas de chuveiros automáticos – Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo (CBSP), que o projeto técnico que será aprovado é um projeto preliminar, e que o projeto executivo deverá ser deixado no local a disposição do vistoriador.

Mas existe uma controvérsia nas IT´s (Instruções Técnicas) que confunde os projetistas (e eu me incluía nessa turma), onde as orientações e anexos informativos da IT 01 – Procedimentos administrativos (CBSP), no item 5.1.3.2.2 (p) exigem uma porção de informações que devem ser apresentadas no projeto de sprinklers, e no anexo informativo sugere uma porção de detalhes de instalação, e todas essas informações solicitadas remetem a um projeto executivo (ver tabela 01). É esse ponto que gera a maioria das dúvidas do que realmente tem que ser apresentado em um projeto técnico de sprinkler.

Eu acredito que a legislação do Corpo de Bombeiro está correta no seu ponto de vista, aprovar apenas um projeto preliminar, mas ela tem que ser ainda mais clara, deixando explícito que o que será aprovado são apenas a indicação das áreas protegidas pelos sistemas de sprinklers, os isométricos com a classificação e os parâmetros de cálculo de cada área e o cálculo hidráulico preliminar para que se consiga pré dimensionar a bomba e a reserva de incêndio, todas as demais informações poderiam ser eliminadas do projeto técnico. As pessoas estão fazendo projetos técnicos sem nem imaginar todos os itens que podem modificar completamente um projeto técnico de um projeto executivo.

Inúmeros fatores podem fazer com que o projeto executivo tenha que partir do ponto inicial, isso é, pegar o projeto técnico aprovado e jogá-lo no lixo e vou explicar o porquê.

Por inúmeros motivos, o projeto arquitetônico é o projeto disponibilizado pelo cliente para a elaboração do projeto técnico, e isso está correto, pois preciso das informações de arquitetura como divisórias, móveis e nos casos de indústria layout de equipamentos e armazenagem para o dimensionamento dos sistemas de segurança

Pois bem, nessa época do projeto, em que o cliente está definindo a arquitetura, ele ainda nem está pensando na contratação do projeto de estrutura, isso vem depois. Porém o projeto executivo do sistema de sprinklers não tem como ser concebido sem o projeto da estrutura, seja ele do telhado ou das vigas de uma laje.

Na época da elaboração do projeto executivo o projetista pode ter soluções melhores, ou ainda verificar que a solução apresentada no projeto técnico não é exequível, e aí? Posso ter que alterar a direção dos ramais, pois falta apoio para os suportes, com isso posso ter que alterar a capacidade da Bomba. E como fica o projeto que já foi aprovado? Não vou ter meu Auto de Vistoria (AVCB) porque o desenho que o vistoriador tem em mãos está diferente do que foi executado.

Eu já tive esse caso, e por isso usei com exemplo. Em função da posição das terças estarem diferentes no projeto da estrutura, toda a tubulação do sistema de sprinkler teve que ser alterada, com isso tivemos uma grande alteração no projeto, nesse caso do projeto técnico aprovado só aproveitamos a parte externa, o restante foi alterado completamente. O sistema foi instalado, e na época da vistoria o que mais chamou a atenção do vistoriador foi que o sistema de sprinkler estava totalmente “errado” porque estava diferente do desenho que ele tinha em mãos. Isso poderia ter sido resolvido rapidamente se o vistoriador que é do Corpo de Bombeiros solicitasse à empresa o projeto executivo, conforme está previsto na sua própria legislação. Mas ao contrário disso ele solicitou a atualização do projeto através de FAT (Formulário de Atendimento Técnico) que levou mais 10 dias para ser aprovada e só depois disso pôde ser agendada uma nova vistoria.

A questão mais importante é que os milhões gastos com a instalação de um sistema de sprinkler projetado de maneira “preliminar” e que vai comprometer a eficiência do sistema, MARIANA JUNQUEIRA Diretora da Blue Fire Engenharia e Consultoria, Secretária da Comissão de Estudos de Chuveiros Automáticos do CB-24, Coordenadora do Comitê Técnico da ABSpk serão os mesmos milhões gastos com um sistema instalado com um projeto executivo.

Lembrando que todas as obstruções, pressão mínima, tipo de bico, tempo de respostas entre outras características do sistema estão diretamente relacionadas com o tipo de incêndio que você vai querer proteger e devem ser cuidadosamente verificadas e apontadas no projeto executivo. Sabe-se que os incêndios são controlados ou apagados por sistemas de sprinklers, quando são eficientemente projetados, instalados e mantidos em operação, em menos 15 minutos (em alguns casos em segundos). Já imaginaram se um único sprinkler, em uma área de armazenagem de plástico estiver obstruído, ele não vai conseguir combater o incêndio na sua fase inicial e comprometerá todos o resto do sistema. Conseguem compreender a importância de se falar nesse assunto?

Solução

Acredito que a melhor solução seria a alteração da documentação exigida pelo Corpo de Bombeiro para aprovação dos projetos, como informações mais genéricas e que facilmente poderiam ser verificadas em vistoria.

Ainda assim, por questões que já expliquei, o projeto executivo pode ficar diferente do projeto técnico aprovado, nesse caso, o projeto deve estar disponível na planta durante a vistoria do Corpo de Bombeiros.

Não faz sentido um analisador do Corpo de Bombeiros, que tem que analisar centenas de projetos por semana, verificar se a distância entre os bicos está correta, ou que um sprinkler está obstruído, eles não têm informações suficientes para essa análise completa.

Se pensarmos do ponto de vista financeiro, que é como todos os compradores têm que pensar, o projeto técnico passa a ser negociado por um valor menor, uma vez que seria apresentada uma quantidade menor de folhas e o tempo para elaboração do projeto seria menor.

Conclusão

Como em todas as áreas de conhecimento, existem várias teorias para o mesmo assunto, e até que se provem o contrário todas são corretas. Essa é a minha opinião e a de vários colegas da área de proteção contra incêndio por sprinkler e acredito que essas sugestões podem ajudar bastante na melhoria da qualidade dos projetos e das empresas instaladoras.

Rede de Sprinklers

Revista Emergência
Outubro/2018
Rede de Sprinklers
Escrito por associado: Allan Lourenço Lucas


 

Um dos maiores entraves na aplicação do sistema de tubos e conexões de compressão radial é a impossibilidade de reaproveitar as conexões que já foram montadas. Isto se torna crítico em obras onde é necessário a realização de um ensaio de estanqueidade antes da montagem do forro de gesso. Diante disto, o presente artigo apresenta uma possível solução para o problema, a partir da utilização de conexões de engate rápido.

A tecnologia de tubos e conexões com terminais de compressão radial já foi apresentada em artigos anteriores, mas para aqueles que ainda não tiveram contato com este tipo de material destinado a instalação de redes de chuveiros automáticos, sprinklers, segue uma breve descrição. Este produto consiste de tubos e conexões fabricados em aço ao carbono com proteção contra corrosão interna e externa por uma película de zinco. A junção entre os componentes, tubo e extremidade da conexão, é executada com o auxílio de um alicate hidráulico. Trata-se de um sistema utilizado há muitos anos na Europa e que começou a ser encontrado no Brasil desde 2013.

Neste tipo de tecnologia a estanqueidade, ou seja, resistência a vazamento do conjunto, é proporcionada pelas conexões que possuem anéis de vedação (O-Ring) nas extremidades que receberão a compressão por meio do alicate. Mas, para que esta estanqueidade seja plenamente obtida é preciso que o procedimento de instalação do produto seja seguido à risca, principalmente nas etapas de corte dos tubos e remoção das rebarbas provenientes do corte, que podem vir a danificar os anéis de vedação.

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A vantagem neste tipo de tecnologia é a agilidade do processo de instalação que permite reduções de tempo de até 70%, quando comparada à tecnologia convencional de conexões roscadas, na qual a extremidade dos tubos é usinada, a fim de receber um terminal de rosca fêmea. Porém, uma desvantagem crucial na utilização deste produto em instalações de redes de sprinklers é que, após ser executada a compressão em uma conexão, esta não pode mais ser desmontada. Por exemplo, se por algum motivo o instalador cometeu um engano e fez a montagem de um “cotovelo ou joelho”, ao invés de montar uma derivação tipo “tê”, esta conexão se perdeu.

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Este fator é crítico também na manutenção ou na eventual ampliação da rede de sprinklers, pois as conexões que já foram “crimpadas”, como é conhecido usualmente o processo de montagem por compressão radial, não podem ser reaproveitadas. Mas isto não é fator impeditivo para a utilização do produto, uma vez que existe a possibilidade de se aplicar uniões roscadas, que permitem a montagem e desmontagem de trechos da instalação, assim como ocorre no sistema convencional de aço ao carbono. Adicionalmente, é importante salientar que intervenções e manutenções como esta são raras em redes bem projetadas.

SOLUÇÃO

Dada esta introdução, vamos ao problema apresentado no início do artigo e sua possível solução. Uma vez que conexões com terminais de compressão radial não podem ser reaproveitados depois de montados ou “crimpadas”, sua utilização constitui um grande desafio em obras, ao qual não se conhece previamente a altura do forro. Na maioria das instalações de sprinklers em shoppings ou prédios de escritórios, a tubulação fica posicionada acima do forro, que em geral é fabricado em gesso ou material de desempenho semelhante. Para evitar retrabalho desnecessário e oneroso dos profissionais da instalação do forro, os ensaios de estanqueidade da rede de sprinklers são executados antes da sua montagem. Desta maneira quaisquer vazamentos, por menor que sejam, são identificados e sanados previamente. Para que o ensaio de estanqueidade possa ser executado corretamente, segundo os critérios estabelecidos pela norma ABNT NBR 10.897 – Proteção contra incêndio por chuveiro automático, todas as extremidades devem estar devidamente tamponadas e vedadas. A pressão de teste estabelecida pela norma é de, no mínimo, 1.350 kPa.

Como explicado anteriormente, uma vez que é difícil determinar com precisão a altura do forro das edificações, em geral as empresas instaladoras de redes de sprinklers deixam um trecho maior de tubo à disposição para a montagem posterior do bico de sprinkler. Este trecho de tubo e conexão é conhecido, no Estado de São Paulo, como “caneta”. Terminada a execução do ensaio de estanqueidade, o forro é devidamente instalado. Com o forro pronto, a equipe de instalação da rede de chuveiros automáticos retorna à edificação e termina a instalação, reduzindo o trecho excessivo de tubo, que foi deixado de propósito anteriormente, e instalando o bico de sprinkler e seu acabamento para realização dos testes finais.

É neste contexto que o uso das conexões de compressão radial se torna desvantajoso e muito caro. Imagine, por exemplo, uma instalação que possua aproximadamente mil bicos de sprinklers, algo que é muito comum. Neste caso, seria necessário utilizar o dobro de conectores de compressão radial para realizar as duas fases do ensaio de estanqueidade, antes e após a instalação do forro. Esta situação, sem dúvida,inviabiliza a aplicação do produto.

Para resolver este problema uma possível solução é a aplicação de conexões de engate rápido, tipo tampão.

Estes conectores são fabricados geralmente em latão e possuem uma norma brasileira de aplicação, a ABNT NBR 15.978 – Conexões de cobre e ligas de cobre com terminais de engate rápido para união de tubos, de 2011. Esta norma prevê a aplicação deste tipo de conexão em transições entre os seguintes materiais: Cobre, CPVC, PEX, PPR, e Aços ao carbono. A Figura 1 apresenta um desenho esquemático de uma conexão de engate rápido.

A grande vantagem da aplicação desta conexão é que não é necessária a aplicação de nenhuma ferramenta específica, ou seja, as conexões são montadas manualmente e são desmontadas com o auxílio de um alicate de metal ou um simples “clip” de plástico.

Este tipo de conexão vem sendo aplicada com sucesso, não somente em instalações de redes de sprinklers, mas também na interligação de coletores solares e instalações hidráulicas de água quente ou fria. Além disto, a utilização e o procedimento de montagem deste tipo de conexão são muito simples, devendo respeitar os seguintes passos: cortar os tubos a 90º, em relação ao eixo principal, utilizando ferramentas apropriadas para que não ocorra nenhum desvio de perpendicularidade em relação ao tubo. Utilize, preferencialmente, a ferramenta chamada corta a frio, ela tende a ter mais estabilidade e precisão durante o corte de tubos; remover as rebarbas internas e externas da tubulação cortada, para que quando a conexão for inserida, o anel de vedação não seja danificado ou que haja acomodação de cavaco entre o tubo e a conexão; deslizar a conexão por meio do tubo, fazendo um leve movimento rotacional, em relação ao eixo principal do tubo, de modo que o encaixe seja facilitado; para a desmontagem, deve-se posicionar o clip ou o alicate de desmontagem de acordo com o diâmetro nominal da conexão ao redor do tubo, encostando-o na entrada da conexão e pressionando contra a guia de nylon da conexão de engate rápido com uma das mãos, enquanto a outra mão puxa o tubo para fora da conexão.

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Na Foto 1 está descrito o procedimento de montagem e desmontagem das conexões de engate rápido para tubos cobre. Vale lembrar que o procedimento para tubos de aço galvanizado ou para tubos poliméricos é o mesmo.

Um ponto importante com respeito à aplicação das conexões de engate rápido é que elas se tornam uma ferramenta para o instalador, uma vez que podem ser reaproveitadas para a execução de diversos ensaios de estanqueidade. A Foto 2 mostra, na prática, como uma conexão de engate rápido pode ser aplicada na extremidade de um tubo de aço galvanizado.

Após a execução do ensaio de estanqueidade e definição da altura ideal do forro a conexão de engate rápido é removida e então o conector específico para a montagem do bico de sprinkler pode ser montado como mostra a Foto 3.

Como vimos, a aplicação de conexões de engate rápido é uma solução possível para evitar o desperdício de conexões de compressão. Sua instalação prática e rápida chama atenção, mas é preciso destacar que este produto possui preço absoluto mais elevado que as tecnologias convencionais disponíveis no mercado. A análise de viabilidade econômica é indispensável em qualquer projeto, mas é ainda mais importante quando se procura implementar uma nova tecnologia ou um novo produto.

Em resumo, o número de tecnologias de materiais destinados a instalação de redes de sprinklers e de redes hidráulicas em geral, vem crescendo a cada dia. Cabe aos instaladores e projetistas estarem bem informados sobre quais produtos e soluções podem ser aplicadas com sucesso.

Tubulações para sprinklers

Artigo Tubulações para Sprinklers

Antes de começar a descrever cada uma das possíveis tecnologias para instalações de redes de sprinklers, é importante salientar que todo projetista ou instalador deve estar atento aos aspectos normativos re­ferentes aos tubos e conexões que esco­lher antes de especificá-los em um pro­jeto ou iniciar a instalação. No Brasil, a norma que especifica os requisitos técni­cos dos materiais é a ABNT NBR 10.897 – Sistemas de proteção contra incêndios por chuveiros automáticos. Sendo assim, todas as tecnologias citadas neste artigo e demais normas de referência encontram anteparo neste documento.

A seguir, encontra-se uma descrição sucinta de cada uma das principais tec­nologias disponíveis para instalação de redes de combate a incêndio por chuvei­ros automáticos.

AÇO AO CARBONO
O aço ao carbono é um produto tradi­cional e facilmente encontrado no mer­cado brasileiro. Esta tecnologia contem­pla a utilização de conexões roscadas e soldadas. É uma excelente escolha para obras nas quais não há grande complexi­dade de execução e os prazos de entrega não são apertados.

Os tubos de aço devem ser conforme norma ABNT NBR 5.580 – Tubos de aço-carbono para usos comuns na con­dução de fluidos – ou ABNT NBR 5.590 – Tubos de aço-carbono com ou sem solda longitudinal, pretos ou galvanizados. As conexões com terminais roscados devem ser em ferro fundido maleável, de acor­do com a ABNT NBR 6.943 – Conexões de ferro fundido maleável, com rosca – e NBR 6.925 – Requisitos de projeto e uti­lização das conexões roscadas em ferro fundido maleável, para uso em tubulação.

As conexões de aço destinadas à solda devem obedecer à norma internacional ANSI B16.9, que estabelece os requisitos dimensionais e de tolerância para estes produtos. Ainda sob o aspecto normati­vo é importante estar atento ao fato de que a utilização de conexões com uniões roscadas não pode ocorrer em tubulações de diâmetro maior que DN 50.

As principais vantagens na utilização deste produto são notadas na boa oferta de mão de obra, em especial para insta­lação de sistemas roscados, devido a dé­cadas de aplicação desta tecnologia no Brasil, e também na disponibilidade de diferentes marcas e fabricantes nacionais. Na utilização de uniões soldadas diver­sos aspectos técnicos, métodos e proce­dimentos devem ser observados, o que implica na utilização de mão de obra qua­lificada e com grande experiência, se tor­nando um desafio em algumas situações.

As desvantagens da utilização deste produto tomam-se visíveis à medida que novas tecnologias, mais leves e resisten­tes à corrosão, se tornam disponíveis no mercado. De fato, toda tubulação de aço ao carbono deve receber atenção especial na pintura, que não é uma simples ques­tão de identificação da rede de combate a incêndio, mas um aspecto importante na proteção da tubulação contra oxidação.

Leia a matéria completa na Edição de Maio / 2018 da Revista Emergência.

 

Por: Rafael Turri
Mestre em Ciência e Tecnologia dos Materiais pela UNESP Sorocaba
Integrante do Comitê Técnico da ABSpk – Associação Brasileira de Sprinklers