ABSpk alerta para capacidade de sprinklers salvar vidas

Revista Hydro
Maio/2016
ABSpk alerta para capacidade de sprinklers salvar vidas
Por João Carlos Wollentarski


ABSpk alerta para capacidade de sprinklers salvar vidas

Para a Associação Brasileira de Sprinklers (ABSpk), o país precisa superar a impressão errônea de que o uso desses chuveiros automáticos anti-incêndio não chega a ser suficiente para salvar vidas. Para o presidente da ABSpk, João Carlos Wollentarski, esta questão não é sequer discutida em países desenvolvidos, onde a obrigatoriedade de sprinklers avança para abarcar o seu uso também em residências unifamiliares.

“No Brasil ainda se coloca em dúvida a efetividade dos sprinklers para preservar vidas em incêndios e por isso a obrigatoriedade de uso muitas vezes é negligenciada”, diz o presidente. Até mesmo para reforçar a importância do sistema a ABSpk promoveu dia 13 de abril em Paulínia, SP, o primeiro ensaio em escala real para queimar duas salas simulando um escritório: uma com um sprinkler, que cobre uma área de 21 m2 e outra sem. “Em poucos segundos de ativação do chuveiro as pessoas podem ver pelo teste Side by Side que as chamas não se propagam mais e que há controle de fumaça. Isso com certeza protege as pessoas no ambiente”, diz. Já o sem a proteção rapidamente é consumido pelo fogo.

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Segundo Wollentarski, as autoridades no Brasil têm grande dificuldade para aprender com os erros, o que não acontece, por exemplo, nos EUA, que sempre depois de grandes tragédias acabam tornando ainda mais rigorosas as obrigatoriedades com relação à segurança de combate ao incêndio. “O acidente da Boate Kiss deveria servir de incentivo para recrudescer medidas preventivas, o que não ocorreu”, lembra.

Já nos EUA, além de o uso de sprinklers em edificações ser já centenário, ano após ano as medidas são mais rigorosas, muitas vezes como parte de resposta pública contra tragédias ocorridas em algumas cidades. Desde 2006, por exemplo, depois que uma norma nova foi publicada (NFPA 5000), muitos estados norte-americanos começaram a exigir sprinklers em casas comuns, tendo em vista que muitas das mortes em incêndios ocorrem à noite, por pegarem os moradores de surpresa ainda durante o sono. “Com um sprinkler, o ataque ao fogo independe da ação dos humanos, o que garante em muito as chances de sobrevivência”, diz.

Uma prova do atraso brasileiro no assunto é o fato de mesmo em São Paulo, onde existe a legislação mais avançada no assunto no país (Decreto 56.819, de março de 2011), haver muitas limitantes para aplicação de sprinklers, exigido pelo decreto apenas em edifícios com mais de 30 metros de altura. “Isso nem se discute mais em países desenvolvidos. A exigência é para todas as edificações com circulação maior de pessoas e famílias”, diz.

Apesar dessa limitação da legislação paulista, Wollentarski reconhece que se o resto do país pelo menos a adotasse, já seria um grande passo, tendo em vista que a maioria dos Estados nem tem leis próprias sobre o assunto. Não à toa, essa é a primeira meta da Frente Parlamentar de Segurança contra Incêndio, que no Congresso Nacional debate a criação de uma norma nacional, baseada na paulista, para disciplinar o assunto tão perigosamente deixado de lado no Brasil.

“O perigo dos sprinklers sem certificação”

Os sprinklers “fora de norma” são aqueles sem certificação e que não obedecem aos requisitos das normas brasileiras ou internacionais similares, pois não passam por uma fiscalização de qualidade, utilizando em sua composição materiais mais baratos e menos resistentes. Em geral, são provenientes da China ou de algum outro país asiático. Uma das maiores preocupações da comunidade internacional de segurança contra incêndio está no risco potencial de esses produtos apresentarem falha no funcionamento, por conta de um detalhe imperceptível a olho nu. Apesar de terem sido banidos das normas técnicas internacionais desde 2003, os produtos “fora de norma” ainda fazem uso de anéis de borracha (tipo o-ring) na vedação. Com o tempo esse material pode se dissolver e grudar o obturador ao corpo do sprinkler, literalmente entupindo a saída de água. Mesmo que haja o rompimento do bulbo, a eficácia do sistema de incêndio instalado ficará 100% comprometida. Assim, por uma questão de segurança e de confiabilidade, é fundamental que os compradores/consumidores exijam o Certificado de Conformidade do Produto, uma espécie de atestado de confiança, que só é expedido por entidades habilitadas para a certificação de sprinklers. No Brasil, as únicas reconhecidas são a ABNT, BRTüV, FM e UL.

Fonte: Skop Sprinklers