Tubulações para sprinklers

Revista Emergência

Por Rafael Turri


Antes de começar a descrever cada uma das possíveis tecnologias para instalações de redes de sprinklers, é importante salientar que todo projetista ou instalador deve estar atento aos aspectos normativos referentes aos tubos e conexões que escolher antes de especificá-los em um projeto ou iniciar a instalação. No Brasil, a norma que especifica os requisitos técnicos dos materiais é a ABNT NBR 10.897 – Sistemas de proteção contra incêndios por chuveiros automáticos. Sendo assim, todas as tecnologias citadas neste artigo e demais normas de referência encontram anteparo neste documento.

A seguir, encontra-se uma descrição sucinta de cada uma das principais tecnologias disponíveis para instalação de redes de combate a incêndio por chuveiros automáticos.

Tubulações para sprinklers

AÇO AO CARBONO

O aço ao carbono é um produto tradicional e facilmente encontrado no mercado brasileiro. Esta tecnologia contempla a utilização de conexões roscadas e soldadas. É uma excelente escolha para obras nas quais não há grande complexidade de execução e os prazos de entrega não são apertados.

Os tubos de aço devem ser conforme norma ABNT NBR 5.580 – Tubos de aço-carbono para usos comuns na condução de fluidos – ou ABNT NBR 5.590 –

Tubos de aço-carbono com ou sem solda longitudinal, pretos ou galvanizados. As conexões com terminais roscados devem ser em ferro fundido maleável, de acordo com a ABNT NBR 6.943 – Conexões de ferro fundido maleável, com rosca – e NBR 6.925 – Requisitos de projeto e utilização das conexões roscadas em ferro fundido maleável, para uso em tubulação. As conexões de aço destinadas à solda devem obedecer à norma internacional

ANSI B16.9, que estabelece os requisitos dimensionais e de tolerância para estes produtos. Ainda sob o aspecto normativo é importante estar atento ao fato de que a utilização de conexões com uniões roscadas não pode ocorrer em tubulações de diâmetro maior que DN 50.

As principais vantagens na utilização deste produto são notadas na boa oferta de mão de obra, em especial para instalação de sistemas roscados, devido a décadas de aplicação desta tecnologia no Brasil, e também na disponibilidade de diferentes marcas e fabricantes nacionais. Na utilização de uniões soldadas diversos aspectos técnicos, métodos e procedimentos devem ser observados, o que implica na utilização de mão de obra qualificada e com grande experiência, se tornando um desafio em algumas situações.

As desvantagens da utilização deste produto tornam-se visíveis à medida que novas tecnologias, mais leves e resistentes à corrosão, se tornam disponíveis no mercado. De fato, toda tubulação de aço ao carbono deve receber atenção especial na pintura, que não é uma simples questão de identificação da rede de combate a incêndio, mas um aspecto importante na proteção da tubulação contra oxidação.

COBRE

O cobre é um material de excelente acabamento dimensional e resistência à corrosão, uma das escolhas mais técnicas para a instalação de redes de chuveiros automáticos.

Os tubos de cobre destinados à instalação de sprinklers devem ser conforme a norma ABNT NBR 13.206 – Tubo de cobre leve, médio e pesado, sem costura, para condução de fluidos. Em relação às conexões, a norma de referência é a ABNT NBR 11.720 – Conexões para união de tubos de cobre por soldagem ou brasagem capilar. Adicionalmente, deve

notar-se que o acoplamento entre tubos e conexões de cobre deve ser conforme a ABNT NBR 15.345 – Instalação predial de tubos e conexões de cobre e ligas de cobre.

Uma das principais vantagens da aplicação de tubos e conexões fabricados em cobre e suas ligas é que este material possui um ciclo de vida longo e requer pouca manutenção, além de ser facilmente reutilizável ou reciclado. Além disto, existe boa oferta de fabricantes disponíveis no mercado brasileiro e a maioria destes fabricantes possui estrutura de treinamento e qualificação de mão de obra.

As desvantagens na utilização deste material encontram-se na falta de competitividade em termos de preço, frente a tecnologias como o aço ao carbono, descrito anteriormente, e principalmente em um problema crônico encontrado em diversos canteiros de obra no Brasil, que é a falta de segurança em almoxarifados e o elevado índice de roubos e furtos em canteiros de obra, em especial de componentes de cobre, que possui alto valor agregado.

ACOPLAMENTO MECÂNICO

‘O acoplamento mecânico ranhurado é uma tecnologia que vem sendo utilizada, há anos, com grande sucesso em substituição ao processo de soldagem em dimensões acima de DN 50. É muito comum encontrar instalações que apresentam um mix de tecnologias, onde acoplamentos mecânicos ranhurados, também conhecidos como acoplamentos grooved,

são instalados nas dimensões maiores da tubulação de sprinklers, e outras tecnologias são aplicadas nos ramais de dimensões menores.

Os tubos utilizados por esta tecnologia de acoplamento são fabricados em aço e de fato, são os mesmos utilizados nas junções por rosca e solda e devem ser conforme ABNT NBR 5.580 ou ABNT NBR 5.590. Não existe restrição à aplicação de conexões por acoplamento ranhurado, pois o item 5.5.1, letra (h),

da norma ABNT NBR 10.897, destaca que outros tipos de conexões podem ser utilizados, “desde que comprovadamente testados por laboratórios de entidades ou instituições de reconhecida competência técnica”. Este ponto especificado pela norma só pode ser plenamente atendido por meio da apresentação de evidências de testes e ensaios

de conformidade. Uma das ferramentas de comprovação, como destaca o texto normativo, é a apresentação de certificados de órgãos de reconhecida competência técnica. Adicionalmente, a norma especifica que os anéis de vedação devem ser aprovados e que os sulcos devem possuir dimensões compatíveis com as conexões.

A principal vantagem da utilização do sistema de acoplamento ranhurado é a redução no tempo de instalação, que é crítico, principalmente em diâmetros tão grandes quanto 4” ou mais. Neste tipo de instalação a utilização de acoplamentos ranhurados chega a ser três vezes mais rápida que o processo de solda convencional, o que torna esta tecnologia a escolha ideal quando se tem prazos de execução apertados.

Obviamente, por se tratar de um produto mais avançado do ponto de vista tecnológico, o preço absoluto destas junções é mais elevado do que as conexões similares disponíveis para solda. Neste  caso, a avaliação de custo-benefício é fundamental para a viabilização de projetos. Uma desvantagem do sistema ranhurado é que a redução de tempo de instalação para acoplamentos de DN ≤ 50 mm, na qual em geral se utilizam conexões roscadas, não é tão significativa quanto em comparação com junções soldadas, o que  faz diversos instaladores não optarem pela sua utilização nestes casos.

CPVC 

A aplicação de tubos e conexões à base de termoplásticos de CPVC (Policloreto de Vinila Clorado) apresentam grande facilidade de transporte e manuseio, mas alguns requisitos técnicos devem ser observados na utilização deste tipo de produto.

Os tubos e conexões de CPVC devem ser conforme as normas ABNT NBR 15.647 – Tubos e conexões de poli(cloreto de vinila) clorado (CPVC) para sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos e NBR 15.648 – Estabelece as exigências e recomendações mínimas para a instalação de tubos e conexões de poli(cloreto de vinila) clorado (CPVC) para uso, e podem ser utilizados em sistemas de proteção por chuveiros automáticos para ocupações de risco leve até pressões de 1,21 MPa e em temperaturas ambientes de até 65 °C.

A maior vantagem na aplicação desta tecnologia encontra-se na metodologia simplificada de instalação e na grande disponibilidade de mão de obra treinada e com experiência na execução de juntas soldadas com aplicação de adesivo. É importante salientar que após a montagem entre tubos e conexões é necessário aguardar o tempo de cura do adesivo antes da execução de qualquer ensaio de estanqueidade.

A desvantagem na utilização deste produto reside na restrição da utilização para apenas ocupações de risco leve. Este ponto deverá ser levado em consideração, pois esta restrição limita a aplicação do produto em instalações industriais (área fabril), estacionamentos (mesmo que prediais), lojas, entre outras tipologias conforme o Anexo A da norma ABNT NBR 10.897.

COMPRESSÃO RADIAL

O sistema de compressão radial consiste na utilização de tubos e conexões fabricados em aço ao carbono no qual a junção entre os componentes acontece com a ajuda de um alicate hidráulico. Esta tecnologia é utilizada há décadas na Europa, e chega ao Brasil como uma alternativa para obras onde rapidez e praticidade são fundamentais.

O amparo normativo para este tipo de tecnologia é semelhante ao sistema de acoplamentos ranhurados, no qual os itens 5.3.5 e 5.5.1 (letra h), determinam que outros tipos de materiais podem ser utilizados desde que, em suma, comprovem sua aplicabilidade em sistemas de proteção por chuveiros automáticos, por meio de testes laboratoriais e do reconhecimento de instituições de reconhecida competência técnica.

A grande vantagem do sistema de compressão radial é a agilidade da instalação. Pode-se atingir uma redução de 70% no tempo absoluto de montagem, quando comparada à instalação do sistema roscado convencional, por exemplo.

Outro ponto que merece destaque é que não é necessário pintar os tubos e conexões neste tipo de instalação, pois eles são galvanizados e, por isto, resistentes à oxidação. Note, porém, que isto não extingue a necessidade da identificação da tubulação conforme exigido pela norma ABNT NBR 10.897.

As desvantagens na aplicação deste produto estão no preço absoluto do material que é maior que os sistemas convencionais, e na existência de poucas

empresas especializadas na distribuição deste produto no Brasil. Esta tecnologia se mostra vantajosa em obras de reforma em universidades, hospitais e outras edificações que precisam continuar em funcionamento durante a adequação da rede de sprinklers.

CONCLUSÃO

Em resumo, atualmente, existem diversas tecnologias disponíveis para a instalação de redes de sprinklers. Cabe aos profissionais da área estarem bem informados sobre as diferentes possibilidades e sobre as vantagens e desvantagens de cada produto frente às  necessidades de seus clientes.